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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

[Ed. 50#] bONG: Essa dura vale um Filme - Parte 1!

por Marco Hollanda

Parece filme de terror. Você pensa que se livrou das garras do vilão, segue sua vida normalmente, e depois de certo tempo ele volta para lhe caçar. Os personagens principais desta história são usuário de maconha e um negligente policial carioca. É importante registrar que, na época do ocorrido, o usuário ainda era menor de idade.

CAPITULO 1

A missão era no morro da Formiga, Zona Norte do Rio de Janeiro. Naquele dia tinha a companhia de um amigo que ficou no pé do morro esperado ele ir às compras. Quando descia as escadas da comunidade com o pequeno flagrante na bolsa (duas parangas de dois reais) percebeu que o amigo não estava mais no local marcado para o reencontro. Já temendo o pior ele joga a erva recém-comprada no canteiro de uma árvore.

Mas ele logo encontrou o amigo. Afinal, ele estava encostado em uma parede, com as mãos para o alto e as pernas abertas. Não deu tempo nem para respirar fundo quando um dos policiais gritou:

- Você acha que eu sou otário? Vai pegar o flagrante ou quer que eu pegue?

- Eu pego!

Mesmo assim, o tira saiu na frente e foi em passos certeiros até a arvore onde estava o saquinho recheado de cannabis, que rendiam no máximo uns três baseados. Não satisfeitos, os guardas começam um vexatória revista em busca de mais um flagrante. Sem sucesso na busca, decidem encerrar a operação e liberar os dois garotos.

A história seria mais um bONG comum se terminasse aqui. Eis que para um carro e dela sai uma mulher que grita:

- O que vocês estão fazendo com eles:

- A senhora é mãe deles? – pergunta um dos guardas

- Não, mas eu trabalho no Ministério Público – disse enquanto mostrava o crachá.

A mulher fez valer de sua autoridade e obrigou que os dois fossem conduzidos até a delegacia e os pais avisados. Seguindo a hierarquia do poder público os PMs não pensaram duas vezes antes de acatar aquele pedido.

Chegado à DP os jovens foram conduzidos por um dos guardas para um lugar inusitado: o banheiro. Lá dentro o ‘homem da lei’ faz aquela proposta que muito maconheiro já ouviu:

- Vocês não vão assinar nada. Mas quero ver quem vai lembrar de dar um agrado para o amigo!

Um acordo foi selado e os dois foram liberados. A mãe do personagem principal desta história, que soube naquele dia que o filho era o usuário de maconha, se recusou a pagar qualquer tipo de propina. Mas o pai do amigo “fez um agrado” para os guardas. Cada um ganhou um computador.

Pensa que acabou? Essa história ainda vai promover muitos arrepios.

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

[Ed. #49] bONG: Sagacidade da Marola pra cima da Guarda!

por Marco Hollanda

Para escapar das mãos da guarda, alguns adotam uma verdadeira estratégia de guerra. As vezes é preciso reconhecer que o inimigo é mais forte e simplesmente bater em retirada. Nesta semana temos mais uma história em primeira pessoa, contada por um de nossos leitores. O relato é o que segue abaixo:

Éramos três naquela noite. Compramos uma erva de boa qualidade e seguimos de moto até um clube abandonado para fazer a fumaça da paz. O local é frequentemente utilizado por praticantes de Le Parkour e fica em um bairro de classe alta da cidade.

O primeiro beck foi queimado em bela harmonia com a noite. Mas quando o segundo ainda soltava as primeiras baforadas, o clima ficou tenso. Ouvimos freada brusca de carro que imediatamente despertou a atenção de todos.

Fui andando enconstado na parede até uma janela com visão para rua. Lá embaixo, uma viatura estacionava na porta do clube, enquanto um dos guardas ja invadia o local.

Rapidamente pegamos as mochilas e capacetes para bater em retirada. Fugir dali era quase uma missão impossível, com muros altos e cercas elétricas. Com a guarda realizando sua busca dentro do clube, a mente precisava agir rápido. Quando me deparei com uma tampa no chão não pensei duas vezes. Lá dentro ficava a bomba da piscina. Agora seria o esconderijo perfeito.

Com todos lá dentro restava aguardar em silêncio o momento para se livrar das garras da guarda e bater em retirada. De lá era possível ouvir os passso dos tiras vasculhando o local. Foram 20 minutos de espera. O medo tomava conta de todos ao ponto de fícarmos paralisados com medo de fazer algum barulho, além de estarmos completamente suados.

A tranquilidade só foi retomada quando ouvi um barulho de carro arracando. Era o sinal de que o território ja esta livre de qualquer ameaça da guarda. Entretando, era necessário uma última checagem pela janela. De lá foi possivel observar que a viatura não estava mais no local. Para aliviar a tensão que tomava conta de todos só mesmo queimando aquele beck que ficou pela metade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

[Ed. 48#] bONG: Pra fazer a Cabeça tem Hora e Local!

por Marco Hollanda

O bONG desta semana apresenta um relato em primeira pessoa enviado por um de nossos leitores. A história se passa em um réveillon no município Caraguatatuba, litoral São Paulo. O julgamento do comportamento dos usuários e da PM fica por conta da galera que entrar na roda no final do post. Vamos aos fatos:

"Éramos cinco pessoas hospedadas em uma escola particular. Após a ressaca do réveillon, resolvemos carburar a santa erva pra começar bem o ano. Feito isso, ficamos deitados dentro da sala planejando o programa daquela noite. Ouço o barulho de alguém batendo na porta. Sem nenhum medo, peço para que entre. A visita não podia ser pior.

Naquele momento dois policiais da Força Tática da PM entraram no recinto. O diálogo começa ali:

- Vocês estavam fumando maconha aqui? Pode falar que vai ser melhor pra vocês!

- Sim, a gente tava fumando!

- Então pode sair do quarto todo mundo que vamos revistar tudo.

Todos foram para o corredor. Enquanto vasculhava o cômodo um dos policiais continuou o sermão.
- Vocês são um bando de vacilão fumando essa porra aqui dentro. Por que não fazem isso na praia? Lá ninguém incomoda vocês. Se eu recebo uma denúncia de morador sou obrigado a vir até aqui. É melhor vocês entregarem o que tem. Se eu continuar revistando tudo e achar alguma coisa vai ser muito pior.

Decidimos entrar no jogo do Guarda e entregamos o flagrante de 10g que estava escondido no quarto. Enquanto o Tira anotava o nome e RG de todos envolvidos a conversa perseguia.
- Tem certeza que você não tem passagem? - perguntou o policial  a um dos maconheiros.
- Sim!
- Você tem uma cara de cadeieiro. Eu volto se descobrir que você tem passagem.

Na despedida, uma ameaça que é facilmente entendida por qualquer maconheiro.
- Se eu voltar aqui vou achar 1kg com vocês. Não preciso explicar nada, né?
Os dois policiais foram embora levando todo estoque de erva. Chovia bastante e foi necessário ‘varrer’ o chão para conseguiu bolar um fininho que abençoou a viagem de volta.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

[Ed. #47] bONG: Preso por ouvir Planet Hemp!

por Marco Hollanda

No último domingo relatamos a história de um Major da PM paulista que associou figuras como Che Guevara e Bob Marley com a apologia à violência e às drogas.

O absurdo do caso se repetiu em situação semelhante em uma blitz no Rio de Janeiro. A abordagem começou da forma correta. Não havia flagrante nem marola que pudesse agravar a situação.

É importante contar a habilitação estava vencida, o que fez com que a guarda assumisse aquele discurso que sempre termina com alguns trocados dentro do documento para pagar a cervejinha no final do dia.

A conversa para resolver “a situação” seguia tranquilamente até que mais um soldado se aproximou do local. Ao chegar mais perto do carro percebeu que um CD do Planet Hemp estava sendo executado. Para piorar, a música era das mais explanadas sobre o consumo e legalização da maconha.

Foi o suficiente para a Guarda Negligente tentar um enquadro por apologia às drogas. Nesse momento a discussão ficou mais quente. Nosso personagem tentava contra-argumentar a absurda acusação.

A reação da Guarda foi ainda mais abusiva. Por discordar da opinião dos protetores da sociedade ele foi acusado por desacato a autoridade. A situação era cada vez mais tensa e a história da habilitação vencida já nem era mais lembrada.

Tudo caminhava para uma prisão digna de governos autoritários. Mas fazendo valer de seu conhecimento o personagem desta história conseguiu se livrar da acusação sem maiores complicações. A guarda desistiu e ele seguiu viagem (ao som do Planet, é claro)

O final pode ter sido feliz, mas fica o recado. Para Guarda Negligente até um CD do Planet Hemp vira flagrante.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

[Ed. 46#] bONG: Ilusionismo pra entocar Flagrante!

por Marco Hollanda

O clima daquela noite era dos melhores. Depois de buscar uma prova que havia gabaritado, nosso personagem chama um amigo para fazer fumaça em uma região menos movimentada do local.

O beck ainda estava nas primeiras tragadas quando o baque da Guarda aconteceu. A fumaça ainda viajava pelo corpo quando a lanterna da viatura apontou na direção de ambos. O instinto maconheiro agiu rapidamente apagando o baseado. Mas foi incontrolável segurar a fumaça que ganhou tom de efeitos especiais sobre os faróis.

Com as armas apontadas, a Guarda já coloca os dois contra a parede para a tradicional revista. Neste instante, sem que os tiras percebessem, o beck desse pela garganta de um deles.

Sem nada para comprovar o delito a guarda decide revistar os carros de suas vítimas. No primeiro não havia nem uma seda rasgada. Mas no carro do personagem que relata esta história estava o flagrante que poderia deixar a história com um final triste: dentro de uma nécessaire (que estava na mochila) havia 20 gramas de erva, três envelopes de seda, um dichavador e um pipe.

O guarda abre o porta-malas, confere bancos, painel, porta-luvas e nada encontra. Quando acha uma mochila pede para que o dono do carro jogue no banco tudo que está dentro dela.

É neste momento que nosso personagem toma uma atitude de esperteza e muita coragem. Depois de jogar tudo no banco, ele deixa nécessaire dentro da mochila e a sacode com a boca para baixo segurando-a exatamente no ponto onde era possível prender a pequena bolsa com o kit-maconheiro. Não conformado, um dos guardas faz uma última conferida nos objetos jogados no banco.

Mesmo sem encontrar nada os dois permaneceram detidos por mais alguns minutos para uma exibição pública diante de alunos e professores da universidade. Sem outra opção, restou a Guarda liberar os dois para suas respectivas casas.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

[Ed. #45] bONG: Com o flagrante no estômago, Guarda fica só com a Smoking!

por Marco Hollanda

Este bONG torce para encontrar um caso diferente, mas a história é quase sempre a mesma. O flagrante é sempre pequeno e a repressão da guarda ultrapassa os limites da legalidade. O que muda é apenas o personagem e o local.

Em um bairro residencial, três amigos escolheram uma rua tranqüila para fazer a fumaça que encanta a mente dos leitores da Hempada. Sem criar nenhum tipo de baderna, a erva era queimada na paz que só guarda negligente pode terminar.

Neste caso, a Guarda sequer estava fardada. A abordagem começa com um Golf sem nenhuma identificação realizando uma manobra ousada na frente da galera. Dele saem três homens aos berros de “encosta na parede, cambada de viciado!”.

O clima de terror era tanto que o personagem que relata este caso não lembra como o beck que estava em sua mão desapareceu. A única recordação é do instante que seu amigo engole a paranga que estava no bolso. Infelizmente um dos homens percebeu isso e tentou sem sucesso fazer com que ele cuspisse a erva engolida.

Enquanto isso a opressão seguia:

- Quantos anos você tem?

- 18, senhor.

- O que você está fazendo fumando maconha? Tá achando que essa porra é legalizada?

- Não Senhor.

- Cadê a droga?

- Não tenho nada, Senhor

- E esse cheiro de maconha? Você fuma?

- Fumo!

Como um dos amigos era menor de idade, o relator desta história chegou a ser ameaçado de ser enquadrado por corrupção de menores. Após todos serem revistados e único flagrante encontrado ser uma inocente caixa de Smoking (que foi destruída) a guarda decide recuar. A despedida, como sempre, é repleta de gentilezas:

- Se eu encontrar você fumando de novo vai ter que voltar para casa com uma costela quebrada!

Mas e você, por acaso já passou por algum perrengue na mão da guarda violenta e transgressora das leis? Conta pra gente por e-mail:redacao@hempadao.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

[Ed. 44#] bONG: Maconheiro liberado por falta de espaço na Viatura Policial!

por Marco Hollanda

Definitivamente São José dos Campos não é dos lugares mais seguros para um maconheiro. Pela segunda vez este bONG conta uma histórica cinematográfica ocorrida na cidade paulista.

O caminho até a boca mais próximo era longe, mas a reserva canábica estava no fim. Para fazer a missão nosso personagem aperta o último dos finos, pega a bicicleta e parte em companhia de um amigo como uma Maria Fumaça pelas ruas.

A viagem seguiu na benção de Jah. A fumaça subiu para a mente em perfeita harmonia com a natureza e o vento batia na cara como um tsunami que lavava o rosto. O filme de terror começa quando eles entram na favela.

A rua estava deserta, mas logo a frente havia três rapazes sentados no chão e um homem mais velho em pé, que foi logo perguntando:

     - É chá que vocês querem?
     - É. Tem duas ai?
     - Tem, tem, vem cá.

Como um pistoleiro do Velho Oeste ele sacou uma pistola da cintura e atacou:

     - Encosta na parede seu maconheiro filha da puta!

O roteiro do filme segue de forma bem tradicional. Neste caso, a história se repetiu com mais 12 compradores que chegaram à boca. Todas elas passaram pela humilhação do Porco Fardado (que não estava fardado).

     - Vai cair a casa se eu ligar pra mamãe? Vai seu filho da puta? Aquela vagabunda sabe que você dá dinheiro pra esses nóia aqui?

No momento em que as demais vítimas receberam uma seção individual de terror psicológico, outro policial entra na comunidade dirigindo um Gol Branco. Depois de muita conversa os Tiras resolvem levar cinco pessoas. Nesta leva o nosso personagem escapou.

O destino das outras vítimas é um mistério. Este bONG torce que todos tenham sido protegidos por Jah e escapado das garras afiadas dos Foras da Lei.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

[Ed. #43] bONG: Salvaram-se os Buds na dura Federal! Mas a grana...

por Marco Hollanda

No bONG de hoje a dura é Federal. E quem já conhece as mazelas da corrupção policial sabe que o prejuízo no bolso vai ser maior. A história se passa em uma blitz na Via Dutra, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo.

Retornando de um passeio do interior, nosso personagem voltava com umas plantinhas recém-colhidas da roça canábica. Boa parte estava escondida atrás do cilindro de gás. Mas uma pequena quantidade das flores ainda molhadas estavam no bolso.

Na abordagem policial, ele adotou a estratégia de entregar o ouro que estava no bolso (aproximadamente três gramas) para amenizar possíveis complicações e evitar uma eventual revista no carro.

Infelizmente os federais não se contentaram com o pequeno flagrante e iniciaram uma caça a erva dentro do veículo. Por falta de sagacidade não encontraram as ervas de Jah escondidas na mala. Mas o pequeno flagrante era suficiente para o bote da guarda negligente.

Dentro do posto, a ocorrência começa a ser registrada com o interrogatório seguido do tradicional terror psicológico. Com o desenrolar da conversa o assunto vai caminhando para o desfecho de sempre. O diálogo que segue abaixo é dos mais previsíveis, mas vale apenas transcrevê-lo.

- Só você pode se ajudar – já dispara o guarda.

- De que maneira?

- Quanto você tem ai?

O guarda pega a carteira, olha os cartões de crédito e pega os 200 reais.

- Isso não dá nem para o começo.

O final desta história acaba com o nosso personagem passeando no banco do carona do próprio carro. No volante, um policial sem farda seguia por uma estrada secundária até a cidade mais próxima. Na agência bancária, foi obrigado a sacar mais dinheiro. Para aumentar a tensão ele erra a senha na primeira tentativa.

Com mais 600 reais em mão, eles retornam ao posto policial para entregar a ‘fiança’ que garantiu o término daquela viagem. No final, restou fumar o matinho que escapou das mãos da guarda negligente.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

[Ed. #42] bONG: A saga de um bONG em tempo real!

por Marco Hollanda

Foto: O GloboMesmo inédita no Hempadão, a história do bONG - Baque de Oposição à Negligência da Guarda - desta semana deve ser de conhecimento de grande parte dos leitores. Na última terça-feira a polícia encontrou 10 pés de maconha na casa de Fábio dos Santos, no bairro de Olaria, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Mesmo alegando que a maconha era para consumo próprio, Fábio foi levado a carceragem da Polinter onde permaneceu preso. O abuso de poder mobilizou militantes da Marcha da Maconha e membros do GrowRoom.net, que buscaram maneiras de colaborar com o caso.

O desfecho desta história foi acompanhado de perto pela equipe do Hempadão. A saga pela libertação de Fábio contou com cerca de 20 pessoas em uma cruzada pelo Rio de Janeiro. Para assistir o maior de todos os baques contados nesta coluna, confira o vídeo abaixo:

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

[Ed. #41] bONG: Beck Engolido, Flagrante Perdido!

por Marco Holllanda

No Rio de Janeiro Polícia Mineira é sinônimo de milícia. É formada por agentes fora da lei que oferecem ‘a paz’ em determinado local em troca de pagamento de taxas. Mas o bONG desta semana não vai falar de milicianos. Trata-se de uma história ocorrida em Belo Horizonte, onde a polícia do Estado de Minas Gerais se comportou como os xarás corruptos do Rio de Janeiro.

O cenário do crime é a famosa Praça do Papa, no bairro das Mangabeiras. Antes disso, o beque daquele sábado havia sido apertado com todo cuidado, formando um charuto de dar água na boca.

Quando se preparavam para descer do carro ouviram um barulho de sirene que entrou como uma facada no peito. Em seguida veio o alerta: “Desçam todos com as mãos sobre a cabeça”. A guarda só não contava com um movimento ninja de uma de suas vítimas que transformou aquele baseado em um kibe, que desceu rapidamente pela garganta.

violencia-policial No meio da rua, os três foram colocados de joelhos no chão para uma revista com a tradicional educação da guarda negligente. Durante a ação, outro Tira mantinha uma arma apontada na direção dos três.

Sem o flagrante necessário para o ataque decidem revistar o carro. Diante de mais um fracasso tentam obrigar que todos retirassem a roupa no meio de uma das praças mais movimentadas da cidade.

Com a situação chegando a um ponto de humilhação insustentável, a reação foi inevitável. “Vocês não podem nos obrigar a fazer isso. Cabe até um processo judicial por abuso de poder”, disse uma das vítimas. Sem argumentos para uma defesa inteligente, a guarda responde com socos e botinadas.

Diante daquela situação insustentável, resolvem terminar o ataque. Como de costume, a guarda negligente, que não admite ser derrotada, dispara uma mensagem de ameaça: “Anotamos a sua placa. Se este carro estiver estacionado nas proximidades a coisa vai ficar feia”.

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

[Ed. 40#] bONG: Um Óculos de sol por um Baseado?

por Marco Hollanda

Sem perder tempo, o bONG desta semana decola até São José dos Campos, em São Paulo. A hora do almoço se aproximava e o personagem deste causo resolver incendiar a palhoça para abrir o apetite. Só quem come na larica sabe como até o pior dos podrões se torna uma delícia.

Ao melhor estilo século 21 ele senta na praça com um óculos Oakley Thump Pro, que vem com um tocador de MP3 acoplado. Mas na hora de fazer fumaça, o tradicionalismo canábico é levado a sério. Com Planet Hemp entrando pelos ouvidos, a erva apertada na seda começa a subir pra mente.

Quando o baseado ainda estava na metade vem o baque que acaba com qualquer barato. Uma viatura policial faz uma manobra brusca e entra no meio da praça. O flagrante foi imediato e a oportunidade para se livrar do baseado era nula.

A abordagem começa com a tradicional gentileza da guarda negligente: revista de forma agressiva, ofensas, humilhação pública e outros elementos bem conhecidos pelos leitores desta coluna.

O abuso maior desta história ocorre quando um dos guardas toma posse dos óculos hi-tech e segue sozinho em direção a viatura. Segue abaixo, o dialogo desta cena:

- O que você vai fazer com os meus óculos?

- Vou dar pro meu filho.

- Mas o que isso tem a ver com o ocorrido?

- Quer que sua mãe saiba o que aconteceu? Então fica calado!

- Mas ela já sabe.

- Então eu vou te levar lá seu @#&!(%.

A guarda negligente cumpre o prometido e ele é conduzido de viatura até a porta do prédio onde mora. Como não havia ninguém em casa decidem passar o sermão no porteiro.

Na volta, a guarda negligente decide liberar sua vítima e entregar os óculos. Para não passar o caso em branco disparam uma nova ameaça dizendo que da próxima vez o final da história será diferente.

O detalhe final desta história fica por conta do porteiro, que também é um apreciador da sagrada erva de Jah.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

[Ed. #39] bONG: Brasil X Israel - A diferença na abordagem Policial!

por Marco Hollanda

O bONG - Baque de Oposição a Negligência da Guarda - é uma editoria feita 100% com casos reais, narrados pelos leitores.  O caso de hoje serve para demonstrar o atraso na política repressiva da guarda brasileira. Duas duras, uma em Israel e outra no Rio Grande do Sul que terminaram de formas bem diferentes. De Início, vamos viajar até a cidade de Tel Aviv, onde o personagem desta história morou por seis meses e fumava na praia quase todos os dias.

Na volta pra casa (de carro) ele foi abordado por uma patrulha policial. Tinha dois agravantes: o alto estado de chapação canábica e o fato de estar sem documento.

É importante saber que em nenhum momento a patrulha policial obrigou nosso personagem a descer do carro. Ele arruma uma desculpa bem simples e diz que só estava retornando para casa após um passeio pela orla que fica a três quarteirões de sua residência. Sem outros questionamentos, os homens da lei respeitam o direito do cidadão circular livremente pelo território e o baque termina sem maiores repressões.

serragaucha Quatro dias após seu retorno a Brasil, sofre outro baque da polícia. Dessa vez a história termina de forma mais trágica. O cenário é de uma festa à fantasia na Serra Gaúcha. Com os canabinóides agindo nos neurônios, ele anda pela rua onde ia de encontro a um grupo de amigos de curtiam o barato de um porre de vodka.

Encontrou dois amigos deitados no chão da rua curtindo os prazeres de bebedeira. Como bom maconheiro decidiu sentar-se na calçada para curtir a onda de Jah vendo os amigos bêbados em um estado vergonhoso. Aproveitou o clima para queimar o restante da erva em um cachimbo comprado em Israel.

É neste momento que uma patrulhinha entra na rua com os faróis apontados justamente para o personagem desta história soltando fumaça pela tora prateada. Os guardas descem da viatura e imediatamente iniciam a seção de agressões físicas e humilhações verbais. Na ignorância da Guarda Negligente, chega a ser acusado de estar consumindo crack.

Uma prova de que não estavam interessados em guardar o flagrante é o fato de um dos guardas tentar quebrar o cachimbo. Em uma cena onde ficou difícil controlar a gargalhada, o guarda tentava sem sucesso destruir o aparato canábico. Diante do fracasso, ele abandona o objeto no chão e vai embora.

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

[Ed. 38#] bONG: Tapa na Cara - Com ou Sem Flagra!

por Marco Hollanda

O estereótipo de maconheiro pode causar problemas da mesma gravidade que um flagrante no bolso. A história que comprova esta tese aconteceu na Fazenda do Viegas, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O local de natureza exuberante faz parte da história carioca, mas para o personagem deste bONG [Baque de Oposição a Negligência da Guarda], as lembranças são dolorosas.

Tudo ocorreria em absoluta paz na hora de queimar a Santa Erva. A fumaça entrava na mente e era devolvida a natureza em absoluta harmonia. O ritual era repetido diariamente, mas certa vez o final não foi tão feliz.

Na saída do parque, o personagem desta história foi abordado por uma dupla de  policiais militares. O guarda pergunta sobre o motivo daquele tour noturno pelo local. Com a cara de chapado a resposta não convence os patrulheiros. Um deles reage com uma bofetada na cara do “maconheiro safado”.

- Bater em trabalhador é fácil. Dispara contra o guarda negligente.

Imediatamente o outro PM tenta acalmar o colega e faz um pedido para a vítima:

- Fique com a boca calada para não piorar essa situação.

Com o sangue frio e a mente equilibrada pela paz de Jah, ele consegue manter a calma. É revistado pelo guarda, mas teve a sorte de não encontrarem a diamba escondida dentro do tênis.

Sem flagrante, é liberado pelos guardas e vai imediatamente para casa, aliviar uma bad trip que poderia terminar de forma ainda mais trágica.

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

[Ed. #37] bONG: Tem Guarda fazendo papel de bandido!

por Marco Hollanda

O bONG de hoje relata uma história tão quente que as cicatrizes ainda estão na pele do nosso personagem. Na missão fracassada ele foi vítima de policiais disfarçados de traficantes. Utilizei o termo ‘vítima’ porque a repressão da guarda ocorre de forma totalmente fora da lei, com táticas de violência física e moral.

Na noite de quinta-feira da semana passada, com 10 reais no bolso, ele partiu de bicicleta até a boca mais próxima. Ao entrar na comunidade estranhou o clima deserto que tomava conta da rua onde acontece a maior ‘feira’ do local. Seguiu por outras vielas e tudo seguia tomado por um silêncio macabro.

Depois de muito pedalar ouviu o chamado clássico dos traficantes partir de um beco escuro: “Vem viciado!” Ele chega mais perto do local e encontra o traficante com boa parte do corpo escondido atrás de um balcão. O diálogo ocorre da seguinte forma:

- Maconha?

- Isso! Quero duas de cinco.

- Chega mais próximo do balcão para escolher a mais bonita

Quando nosso personagem se aproximou, o bote foi mortal e certeiro. O homem que estava atrás do balcão revela sua verdadeira identidade. Fardado e com a arma em mãos ele dispara: “É maconha, né? Perdeu, vagabundo!”

Do matagal, surgem dois Porcos Fardados (não merecem o título de policial) e tem início a seção de agressões físicas, humilhações verbais e ameaças de morte. Cansados de violência, a Guarda Negligente começa o assalto. Pega os 10 reais que estavam na carteira do nosso personagem e obriga que ele também entregue o tênis para ser liberado.

Aos gritos de “some da minha frente antes que eu lhe mate”, ele é liberado. Com a bicicleta, bate em retirada do local em uma velocidade digna de um ciclista profissional. A tensão só diminui quando entra em casa e tranca a porta.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

[Ed. 36#] bONG: Integrantes do Natiruts portando Maconha…

natiruts3 A história que vamos contar hoje aconteceu há muito tempo atrás, mas poderia ter sido ontem. O cenário é Goiânia e o palco é enfumaçado, show da banda de reggae Natiruts. Tudo seguiria seu rumo natural, daquela fumaça no camarim rotineira até para os não adeptos da vertente jamaicana de música. A diferença era que logo ao lado havia uma base local montada pelo DENARC (Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos), chefiado naquela noite por Renata Chein.

Isso aconteceu em março de 2006, antes da instituição da lei 11-343 que viria em agosto. É possível dizer que esquemas como esses foram de fato amenizados após a nova lei sobre drogas. A descriminalização do consumo desmantela em certo sentindo a necessidade de se reprimir tal crime.

Durante o show o vocalista avisou aos expectadores que haviam policiais no recinto. A advogada disse à matéria da Folha: "Ele chegou a apontar os policiais que estavam no meio do público. Assim tivemos certeza de que eram usuários de maconha". Quem tá mais deslocado no show de reggae, os canas ou os usuários?

Terminado o show, porque não dizer que chega a hora do relax? Sem as preocupações dO Prensador, a banda fez fumaça em pleno camarim, marolando sem dó o ambiente. "Sentimos um forte cheiro de maconha vindo de lá”, disse a delegada depois de autuar dois integrantes da banda mais cinco funcionários da equipe técnica.

A maconha foi achada no ônibus da banda e também no hotel onde estavam hospedados. Se por um lado a polícia só cumpriu seu papel, por outro o que discutimos aqui é justamente porque tal mobilização em prol de uma repressão chapada: proibir o consumo de uma erva. Não só a guarda, mas a lei um dia foi mais negligente. Nesse caso ficou barato, apenas audiência com o juiz.

Mas e você, por acaso já passou por algum perrengue na mão da guarda violenta e transgressora das leis? Conta pra gente por e-mail: redacao@hempadao.com!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

[Ed. #35] bONG: Guarda Negligente nas linhas da imprensa!

por Marco Hollanda

fotografo_coletePara quem não sabe, a redação do Hempadão está cheia de estudantes de jornalismo. Na sala de aula, aprendemos como apurar os fatos de maneira correta, a técnica de um bom texto e os princípios éticos da profissão.

Hoje o bONG faz uma autocrítica sobre a cobertura da imprensa brasileira em assuntos relacionados à maconha. Dos programas policiais carregados de sensacionalismo aos telejornais da TV fechada é possível observar as diferentes maneiras de tratar uma informação. Aprendemos na faculdade que imparcialidade é algo difícil de existir afinal ao escrever um texto o jornalista já está reproduzindo a sua visão do fato.

Caindo de cabeça no mundo do noticiário da cannabis, a imprensa percebeu que não pode ficar de fora do debate sobre a legalização da maconha. É possível notar isso através da presença de repórteres dos principais jornais do país em eventos como a primeira reunião da CBDD (Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia). E mais: no último mês de agosto o jornal O Globo promoveu um debate aberto ao público com especialistas brasileiros e estrangeiros sobre a revisão da política de drogas. O número de notícias tem aumentado de acordo com o interesse e debate público, que parece estar aumentando.

Só que quando viajamos até o mundo dos jornais e telejornais sensacionalistas (de grande penetração entre as classes mais baixas) percebemos que a guerra às drogas ainda é utilizada para encher de sangue as capas destas publicações. A morte de traficantes é vendida como uma vitória do bem contra o mal. Cria-se um precedente que pode levar parte dos leitores a acreditar que a guerra está sendo vencida.

A tese do “bandido bom é bandido morto” pode levar a população a acreditar que a guerra é a única saída para a construção de uma sociedade de paz. Não sou contra a valorização do trabalho da polícia (que está cumprindo a lei), mas o uso do vocabulário vulgar com o argumento de que essa é a “linguagem do povo” é apenas um argumento falacioso na apelativa guerra da audiência que explora os instintos canibais do ser humano.

É nesse caminho ambíguo que a imprensa brasileira apresenta o mundo das drogas aos cidadãos. A classe média aos poucos começa a ler sobre uma guerra perdida. Enquanto isso, aqueles que se alimentam do noticiário popular são informados com páginas de sangue sem o desenvolvimento de reflexões que possam solucionar o problema.

Neste caso a guarda negligente usa uma arma muito mais poderosa que qualquer porrete: a imprensa.

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E você? Passou por maus momentos na mão da Guarda Negligente? Conte a sua história para que possamos dar continuidade ao nosso Baque de Oposição a Negligência da Guarda. Mande um e-mail explicando o caso para hempadao@gmail.com

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

[Ed. 34#] bONG: O Mistério de uma dura inacabada!

por Marco Hollanda

O bONG de hoje viaja até uma cidade do sudoeste mineiro. São três amigos, dois baseados na mente, o estoque de erva zerado e a vontade de dar mais uns tragos. A missão, feita na boca mais tensa da cidade, teve momentos traumáticos e até hoje não é possível saber o que exatamente aconteceu.

Chegando ao local, os dois amigos que realizaram a missão estranharam o fato do território estar completamente deserto às 14h. Como não havia qualquer suspeita de movimentação policial os dois decidiram seguir em frente.

370897 Ao perguntar para alguns moradores sobre o que se passava a resposta era sempre negativa. Até a localização da boca era de desconhecimento geral. Percebendo que o clima estava realmente pesado, a solução encontrada foi voltar para casa de bolso vazio. Só quase na saída da favela, um homem com vestes normais interroga os dois aventureiros. Por pura falta de malandragem um deles entrega o ouro e diz que está em busca de erva. A partir disso, o diálogo segue desta forma:

- Ah, é crack que vocês querem? Olha aqui o crack! (neste momento o homem retira da cintura um cartucho de pistola carregado)

É isso, vocês conhecem? Venham até aqui, pois precisamos conversar. (em seguida tira do bolso da calça camuflada um par de algemas e exibe a arma na cintura.)

-Ô véi, agente só quer chá.

-Véi é o caralho! Quer levar uma porrada na cara? Vai ficar sem os dentes seu filho da putinha.

Sem alternativa, os dois obedeceram as ordens do sujeito e caminharam até um carro que estava próximo. Lá dentro a seção de terror psicológico fica ainda mais tensa. O homem pergunta sobre a localização da boca de fumo e da possível  chegada de um grande carregamento ao local. Nossos personagens forçam barra dizendo que são apenas usuários que estavam em busca da erva.

- Então bagulho é maconha? Mas por que vocês fumam maconha? Dá uma sensação boa? É gostoso? É legal?

- Pô cara, eu gosto e fumo com meu dinheiro. Dinheiro de suor.

- Vocês são viciados?

- Não, agente só fuma de vez em quando.

- Não mente pra mim, pois assim eu vou levar os dois e ainda dou umas porradas para deixar minha marca!

Pressionados a assumir o papel de viciados, ambos decidem recuar e entrar no jogo do “guarda negligente”:

- Quanto de maconha vocês querem?

- 10 reais

- Vocês têm mais dinheiro aí?

- Tenho 20 reais

- Passa esse dinheiro pra cá!

Neste instante, um jovem passa pelo local e imediatamente o ‘guarda’ esquece dos  personagens desta história e ataca sua nova vítima como socos e pontapés. Depois de tomar posse de uma boa quantia de dinheiro ele retorna aos dois e dispara:

-Quanto eu peguei de vocês?

-Nada não, senhor.

-Quanto eu peguei? Fala logo.

-20 reais

O homem faz questão de exibir para os moradores que acompanhavam da janela de casa que o dinheiro estava sendo devolvido:

- Toma aqui seu dinheiro e vão com deus!

O bONG desta sexta-feira termina com um mistério digno dos casos de Sherlock Holmes. Afinal, por que o homem liberou nossos personagens? Por que o dinheiro foi devolvido? Quem era o indivíduo que também sofreu na mão do ‘guarda’? Será que esse homem era mesmo um guarda? Entre nessa roda e desperte seu faro investigativo!

E você? Passou por maus momentos na mão da Guarda Negligente? Conte a sua história para que possamos dar continuidade ao nosso Baque de Oposição. Entre na roda dos comentários ou mande um e-mail explicando o caso para hempadao@gmail.com

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

[Ed. #33] bONG: Pela Legalização e o cumprimento da Lei!

Por Marco Hollanda

Hoje o bONG não fala dos Porcos Fardados. Uma pequena pausa nos relatos de abuso de poder é necessária para uma prestação de serviços à comunidade canábica. A estratégia é mostrar como é possível, em grande parte dos casos, evitar os ataques da negligência da guarda apenas com o uso da palavra.

A Lei 11.343 de 2006 não descriminalizou o consumo de maconha, mas proíbe a prisão de qualquer pessoa pega consumindo a erva. Essa lei determina a aplicação de penas alternativas que vão de uma simples advertência até a prestação de  serviços à comunidade ou obrigação de freqüentar cursos educativos sobre drogas. Uma pessoa que apenas aparenta estar sob o efeito de drogas sequer pode ser levada até a delegacia. Crime é adquirir, portar, guardar algum tipo de substância ilícita.

No papel parece tudo muito bem claro e definido. Mas a fracassada política de segurança pública do Estado brasileiro permitiu a consolidação de uma polícia corrupta e cruel. Neste ambiente o usuário de drogas serve de presa fácil para o exercício da corrupção e do abuso de poder. Basta analisar a maioria dos casos já narrados nesta editoria. São inúmeras as histórias de bote policial na roda do baseado em que o fim é tapa na cara e extorsão, ao invés de conversa com o juiz. 

Ao ser abordado por um policial, tentar fugir é a pior das alternativas. Um PM, por mais que mal intencionado, está fazendo o seu trabalho. Nessa hora é fundamental tentar manter a calma para estabelecer um diálogo pacífico. Se o flagrante for  encontrado, corte qualquer tipo de provocação ou brincadeira com a guarda. Insista para que o policial te leve imediatamente para a delegacia.

Na DP, o sentimento de revolta pela repressão dificilmente funciona. É importante deixar claro que você é um usuário de drogas e toda erva que portava era para consumo pessoal.

É claro que esse momento costuma ser recheado de humilhações públicas e crises familiares. Porém, a busca pelo cumprimento da lei a qualquer preço é um passo importante na desconstrução da sociedade corrupta que aprendeu e se acostumou a encontrar uma brecha ou um viés para fugir das obrigações de cidadão ou mesmo se aproveitar financeiramente.

Tudo isso pode doer um pouco, mas se lutamos pela legalização da maconha é fundamental mostrar que não lutamos pelo ‘liberou geral’. A legalização deve passar pela criação de normas para quem deseja queimar a erva na paz de Jah. Mostrar que temos o mínimo de conhecimento das leis do país pode ser um dos maiores Baques de Oposição à Negligência da Guarda.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

[Hempadão Ed. 32#] bONG na telinha: A guarda como ela é…

O bONG de hoje deixa as linhas da literatura e entra no mundo cinematográfico. Apesar disso, o enredo não muda. A história de hoje apresenta a maneira clássica de sofrer nas mãos da negligência da guarda. Um grupo de amigos, um carro em viagem pela estrada, um baseado, uma blitz no meio do nada e policiais corruptos a fim de garantir uma rodada de cerveja no final do dia.

Tudo isso você vai conhecer no curta-metragem “Bala”, dirigido por Simone Elias e Daniel Sabin. Em treze minutos a trama revela um drama da vida real. O curta ganhou prêmio de júri popular no festival Chico, em Tocantins e está na grade de exibição do Canal Brasil.

Assim como os documentários, curtas-metragens também costumam ser desprezados pela TV aberta. Aqui no Hempadão é só apertar o play e curtir. Vale lembrar que este curta contém cenas de terror para qualquer maconheiro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

[Ed. #31] bONG: Segurança tira onda de policial e se dá mal!

por Marco Hollanda

Rodar nas mãos da polícia costuma ser traumático. Um pouco mais leve, mas ainda bem tenso, é a dura aplicada por um segurança de boate. Pois é nesta onda que o bONG viaja até um show do Planta e Raiz realizado em São Paulo para relatar a negligência da Guarda de Terno.

A caminho do show o personagem desta história resolve ligar para um fornecedor fiel que sempre oferece uma maconha de boa qualidade. Pedido feito, nosso amigo recebe a notícia de que terá a companhia do mesmo naquela noite de reggae.

Chegando ao local marcado para o ‘esquenta’ antes de entrar na casa de shows, os dois conheceram uma galera da tribo dos Rastafáris. Clima perfeito de amizade e confraternização para começar aquela noite de reggae. Não demorou para a fumaça subir e onda bater como um tsunami.

Antes que leseira tomasse conta do corpo era chegada hora de entrar na casa. Na revista realizada na porta tudo correu na mais perfeita paz. Vale ressaltar que o segurança encontrou um colírio no bolso do nosso personagem. Mas a vida seguiu sem nenhum transtorno.

O tradicional atraso nos show pelo Brasil rolou, mas o Planta e Raiz não demorou muito para subir no palco. Na terceira música, a mente do personagem desta história já pedia um pouco mais de fumaça. Foi necessária uma escapada até a área de fumantes. É neste momento que o clima começa a ficar tenso.

553740_1Quando ia tirando a paranga do bolso, o Guarda de Terno entra em ação com a maior brutalidade possível. Só que em um golpe de mestre nosso personagem consegue passar o saquinho de erva para um amigo.

Não contente com perda flagrante o segurança decide iniciar uma revista. Como não encontrou nem uma folha de seda, o guardinha decide usar táticas da Guarda Negligente para não sair totalmente derrotado.

É neste momento que outro Homem de Preto se aproxima do local com ainda mais truculência. Um dos presentes na roda recebeu uma banda, recebeu uma gravata e foi arrastado para fora da casa de show. Como não podia abandonar os amigos, o personagem desta história seguiu a confusão.

Todo bom maconheiro deve ser muito bem informado sobre seus direitos. E essa história seguiu muito bem esse mandamento. Uma das vítimas exigiu imediatamente a presença do responsável pela casa noturna. Percebendo clima desfavorável, o gerente tratou de acalmar a situação e dar uma boa bronca nos seguranças.

Temendo um processo por agressão aos clientes, o gerente passa a jogar na defensiva. Afirmou que naquela noite a erva seria queimada na paz de Jah! Com o Planta e Raiz ainda no palco, os personagens desta história ainda curtiram um reggae da melhor qualidade com a mente completamente legalized.

[TODOS os textos publicados nesta editoria são baseados em fatos reais, narrados por nossos leitores. Para contar sua história mande um e-mail para hempadao@gmail.com]