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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

[Ed. 50#] Hemportagem: Nove dias de Prisão por Dois Pés de Maconha!

por Pietro

Edição 50, uma edição de comemoração! Vimos que o Brasil e a mídia brasileira deram grandes passos rumo a possibilidade de uma cultura de subsistência de maconha, ou seja, criação das plantas para próprio consumo. A revista O Globo fez uma belíssima matéria a respeito dos growers e também sobre os usuários do GrowRoom. E por lá mesmo foi encontrada esta triste notícia que deve ser encaminhada ao consentimento de todos:

"No dia 01/02/2010, foi invadida a Comunidade Rastafári em Cajazeiras 10, a terra é ocupada há mais de oito anos e há pouco tempo tornou-se uma Comunidade de confraternização e louvor a JAH. [...]

Como se não fosse suficiente a forma desrespeitosa como invadiu as casas das pessoas, sem nenhum mandato de busca e apreensão, e o racismo como alguns foram tratados, isso pela manhã, a polícia voltou durante à tarde para fazer a apreensão de dois pés de maconha que estavam sendo cultivados na casa de um dos membros da Comunidade Rasta.

Apesar de terem visto a erva pela manhã, os policiais esperaram o momento em que pudessem chamar a equipe de reportagem do Programa NA MIRA para, só então, efetuarem uma inescrupulosa invasão a casa, fazendo uma verdadeira cena de teatro bizarro, e proporcionando uma verdadeira humilhação em público ao proprietário da casa e a sua esposa, colocando-os no chão e os tratando como animais ferozes. O medo e a humilhação foi tão grande que a senhora, esposa do proprietário da casa urinou-se. Para completar o circo, os policiais deram tiros para cima para simular uma troca de tiros com bandidos. [...]

Não podemos esperar que a consciência desses cidadãos fale por si, precisamos garantir que se faça valer os Direitos humanos nestes pais, afinal o Programa NA MIRA, exibido na TVARATU, por volta das 13 h, todos os dias da semana,expõe de forma desrespeitosa a imagem das pessoas e garante de anteceder a condenação de todos e todas que entram em uma delegacia. O nosso companheiro R. S S. foi mais um que possibilitou enxergarmos, com atenção, o preconceito e o crime de intolerância religiosa que se cometeu no programa citado mencionar, de forma pejorativa o Movimento Rastafári, um segmento religioso que merece o mesmo respeito que estabelece nas suas relações com qualquer segmento social ou religioso existente no mundo.

Por último, gostaria de deixar a reflexão: se é crime se apoderar da máquina do Estado para auto promoção, o que andam fazendo os nossos delegados "pop star" que se promovem diariamente nos programas sensacionalistas exibidos todos os dias no nosso Estado? Isso não seria um crime corregedoria? Governador, por favor!

Porque é livre o acesso de tais programas nas dependências das delegacias, a qualquer hora, a qualquer dia, sem nenhum respeito ao direito que é garantido a qualquer sujeito, de só falar na presença de um advogado, ou só aparecer pra dar entrevista se quiser. Isso não seria um crime? Convoco a todas e todos para participarem deste manifesto, dando sua contribuição na divulgação para todos e todas que conhecem.

Saudações,   
Lâmina

Para ler o e-mail completo clique AQUI!

O cidadão já foi solto, segundo informa o GrowRoom que está acompanhando o caso de perto lá na Bahia. O Rastafari ficou detido por aproximadamente 213 horas por causa do seu plantio de dois pés de maconha. Para saber cada detalhe de mais essa soltura, clique AQUI! Entre na roda e deixe registrada sua opinião sobre o fato.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

[Ed. #49] Hemportagem: Queijo Canábico... vai?

por Pietro

A Hemportagem desta semana novamente vai tratar sobre o Príncipe da Cannabis, mas não é sobre Marc Emery “The Prince of Pot”, e sim “The Prince Canna”, o queijo. Este é o nome do novo produto regularizado e comercializado na Suiça. Os fabricantes dizem que na produção do queijo é utilizado 10kgs de maconha e 1,5L de óleo canábico.

O produto preparado na vila Ecoteaux, no cantão de Vaud, tem um leve gosto picante que pode ser comparado à pimenta. As folhas de maconha são esmagadas e misturadas à óleos  extraídos da cannabis, disse Pascal Morard ao site 24 Heures – A plantação de cannabis utilizada na produção dos queijos é regularizada e monitorada pela polícia local. A fazenda produz anualmente vinte litros de óleo e os resíduos da planta utilizados como adubo.

Para aqueles que já criam esperanças psicoativas, avisamos que o “Prince Canna”  teve o seu THC inteiro extraido do queijo, o que impossibilita qualquer esperança de chapar ou apresentar qualquer um dos sintomas relacionados a onda da maconha. O queijo que começou a ser vendido na Suíça no final do ano passado segue rumo ao mercado da Russia, e por enquanto não há nada a cerca da distribuição do produto para outros países da Europa.

Este queijo pode fazer parte do seu café da manhã, junto com manteiga de Hemp, leite de Hemp, pão de Hemp, Semente e cereais de Hemp. Mas só se você morar em outro país, porque no Brasil todos estes produtos são irregulares devido ao preconceito. Enquanto isso, nós ficamos aqui na vontade:

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

[Ed. 48#] Hemportagem: Liberdade a Marc Emery!

por Pietro

A Hemportagem desta semana tratará de um assunto muito delicado: até que ponto as medidas estadunidenses estão de fato progredindo na política sobre a marijuana?

Marc Scott Emery, Canadense, 58, conhecido como “The Prince of Pot” (O príncipe da maconha) é o maior ativista em prol da legalização do mundo. Responsável por todos os maiores movimentos e eventos que visaram a abolição da política repressora sobre a maconha como a “Festa da Liberdade de Ontario”, a “Festa da Marijuana no Canadá” e a “Festa da Marijuana de BC”, Marc é também fundador da POT TV, da Casa de terapia de Iboga e um dos editores da revista “Cannabis Culture”, além de ser dono das maiores lojas e clubes sobre maconha de Vancouver e do site “Emery Seeds”, um dos maiores distribuidores de sementes do mundo.

Marc disputou o cargo de Prefeito de Vancouver em 1996, 2002 e 2008. Em 1995, ele fundou o site “Emery seeds” e vendeu milhões de sementes de Cannabis para o mundo todo. No documentário “Opção Erva” ele deixa claro que o motivo de vender tantas sementes é de combater a investida dos Estados Unidos na sua famosa Guerras às drogas. E foi comprando briga com os grandes que Emery se enroscou, por vender milhões de sementes para os Estados Unidos ele conquistou o décimo lugar na lista de os mais procurados pelo FBI. A Polícia Federal americana solicitou sua extradição em Julho de 2005, o governo Canadense negou a extradição e Marc permaneceu na lista dos mais procurados. Mas, em 2009, o Ministro da Justiça do Canadá assinou sua extradição. Marc ficou em custódia de setembro de 2009 a novembro de 2009 quando foi extraditado para os Estados Unidos e condenado a 5 anos em regime fechado.

As empresas de Marc Emery nunca venderam qualquer tipo de narcótico, enteógenos, ou maconha plantada, apenas sementes. Pela legislação do Canadá a venda de marijuana, artifícios relacionados à marijuana, e auto-cultivo de marijuana são permitidos. Durante a carreira de Marc muitas de suas lojas foram fechadas pela polícia canadense e pelo DEA (Departamento Anti Narcótico Americano). Ele foi preso em 2004 por passar o baseado para outra pessoa e condenado a 94 dias na cadeia. Mas nada disso fez Marc desistir e nem sequer desanimar, ele sempre foi o ativista que mais se movimentou e por isso recebe o titulo de Príncipe da Maconha.

Todos sabem que a venda de sementes é ilegal, seja por correio ou pessoalmente, na maioria dos países, incluindo os Estados Unidos. A questão é porque um cidadão canadense não pode responder pela sua pena em seu próprio país. Isto é o que muitos ativistas defendem. Se Marc realmente tem que ser julgado por seus crimes, que possa responder por eles dentro de seu próprio território. Se você também acha isso então ajude a causa de Marc, ajude a nossa causa acessando o site pra saber como divulgar a campanha.

O vídeo a seguir mostra Emery no momento em que é extraditado.

Liberdade aos Growers, Liberdade a Marc Emery!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

[Ed. #47] Hemportagem: Washington perde de 6 a 2!

O projeto House Bill 2401 infelizmente não foi aprovado pelo governo do Estado de Washington. A proposta como vimos era legalizar a maconha para maiores de 21 anos, possibilitando sua taxação. Porém em votação governamental a tentativa de mudança perdeu por 6 votos a 2. Isso não é uma boa notícia já que a mudança era esperada com muita expectativa por todos.

Ativistas do local colhem assinaturas e muito provavelmente o assunto deve se encaminhar a um plebiscito, como já foi feito em outros estados. Por lá também foi negado a proposta 1177 que descriminalizaria a posse de pequenas quantidades da maconha, propondo a transição da pena para um registro civil e não penal, prevendo assim multas ao invés de condenações.

Pesquisas apontam que 56% dos cidadãos de Washington são defensores da legalização. "A venda e taxação da maconha traria trezentos milhões de dólares em cada dois anos enquanto eles estão lidando com um déficit de 2.6 bilhões de dólares, o que leva eles a considerar cortes e aumentos de taxas", diz Mary Lou, responsável pelo projeto de lei.

É provável que o projeto sofra algumas mudanças antes de ser aprovado. De qualquer forma, políticos mais conservadores apontam o paradoxo de se aprovar uma lei que é contrária a lei federal da proibição. "Se você for preso no Parque Nacional... ou cruzando a divisa... eles vão te acusar", afirma Christopher Hurst, presidente do comitê.  

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

[Ed. 46#] Hemportagem: New Jersey Medicinal e Califórnia Legalizada!

por Pietro

Estão  se tornando semanais as boas notícias que se referem ao verdadeiro culpado por toda a ilegalização. Nesta segunda feira, dia 11, a assembléia de New Jersey aprovou com 48 votos contra 14 o uso medicinal de marijuana no Estado. Reed Gusciora, o criador da proposta, disse que o projeto pode vir a servir de modelo para outros estados.

Reed também diz que a liberação medicinal trará muito conforto as pessoas que sofrem de doenças e que há muito tempo também sofrem com o medo da repressão. Os pacientes portadores da carteirinha de uso medicinal de marijuana poderão portar consigo uma quantia equivalente a duas onças, cada onça pesa em média 28 gramas. Roseanne Scotti, diretora do Drug Policy Alliance New Jersey, diz que a medida será a mais rígida do país e que não será permitido o auto-cultivo.

E não para por ai, dia 12 de janeiro, foi votada a lei A.B. 390, proposta por Tom Amminano chefe do departamento de segurança pública,  no estado da Califórnia, a lei conta com as seguintes projeções:

Tom Ammiano - A lei removerá a maconha e seus derivados da lista de substancias controladas. Isso é, legalizará o porte, a venda, o cultivo e outras condutas relacionadas à maconha e seus derivados por pessoas com mais de 21 anos.  
- Remove penalidades criminais para quem carrega consigo ou cultiva desde que tenha mais que 21 anos. Adultos com mais de 21 anos poderão usar maconha em casa ou na casa de outro adulto com mais de 21 anos, desde que haja seu consentimento. Usar maconha em público agravará em uma multa de 100 doláres. 
- Serão licenciados growers para o comércio, e pontos de venda também. 
- Permite que uma pessoa com 21 anos ou mais plante em casa 6 plantas maduras. Se a plantação for outdoor, não pode ser visível publicamente. 
- Não remove penalidades para quem porta ou vende em high schools ou níveis escolares menores. 
- Legaliza o cultivo de cânhamo industrial. 
- Será cobrado o imposto de $1,78 por grama de maconha, este está sujeito a mudança se o departamento responsável perceber que está vindo dinheiro em excesso. Todo esse imposto será redirecionado para programas de reabilitação e campanhas anti-drogas.

Fonte: http://www.mpp.org/states/california/information-about-ab-390.html

Por enquanto não foram lançadas noticias na internet a respeito da votação, mas nós assim como vocês aguardamos esperançosos por uma decisão positiva.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

[Ed. #45] Hemportagem: Ação Policial Intensificada!

A polícia não para de prender growers do sul ao norte do Brasil. Quem se interessa por ler e consumir informação a respeito da planta cannabis sativa ainda hoje precisa se deparar com 95% das notícias relacionadas a armas, fardas e prisões. Ontem mesmo 3 jovens foram presos com mudas de maconha. Acusados de tráfico, podem pegar até 5 anos de prisão, embora possam responder em liberdade.

No final do ano passado acompanhamos de perto o drama de Fábio, grower do Rio de Janeiro que foi libertado após a intercessão dos advogados da Marcha da Maconha e outros militantes. Todos os dias o número de notícias de apreensões é enorme, impossibilitando que cada uma seja comentada e mais, tornando cada matéria um desinteressante depósito de 'mais do mesmo'.

A ação da polícia não só é inana como insana. Do ponto de vista que perde tempo e esforço para que, no geral, jovens estudantes passem anos atrás das grades. A polícia deve ter função bem mais importante do que caçar plantadores de auto cultivo. O crime de tráfico é super badalado, mas os traficantes que estão sendo presos nem de longe representam abates significativos ao tráfico global que se desenvolve diariamente apoiado sobre a proibição.

brasilÉ preciso urgentemente uma mudança nas leis nacionais. Pelo fim da injustiça e do espetáculo inútil que dimensiona a palavra droga ou maconha na sociedade atual. Para que a polícia possa atuar de forma mais inteligente. E sobretudo para que ninguém mais precise dar dinheiro a traficantes armados. Bem que 2010 podia ser o ano do Grower... mas  por enquanto ainda é a saga do Grower Atrás das Grades. Que país é esse?    

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

[Ed. 44#] Hemportagem: Uma Reflexão Histórica...

por Henrique Alencar

O primeiro registro sobre a proibição da maconha é um documento da câmara municipal do Rio de Janeiro, de 1830, proibindo a venda e o uso do pito de pango, porem sem maiores repercussões. Ate o final do século XIX e começo do século XX a maconha era consumida por ex-escravos, índios e mestiços no norte e nordeste do país. Por isso teve sua imagem associada às populações pobres, negras e indígenas.

A partir de 1910 cientistas reforçaram essa associação com teorias que relacionavam os efeitos da planta com o comportamento, segundo eles, naturais dos negros como ignorância, resistência física, fetichismo e criminalidade. Processo bastante parecido com o ocorrido nos EUA, onde o alvo eram os imigrantes mexicanos. Em 1921 o Brasil adere aos acordos da Liga das Nações Unidas e promulga a Lei Federal nº 4.294 que previa pena de prisão para traficantes e tratamento para usuários. Em 1932 o governo brasileiro inclui a planta na lista de substâncias proscritas sob a denominação de Cannabis indica, baseando-se em informações como as teses do Dr. Pedro Pernambuco que compara a maconha com a papoula, afirmando que a maconha no Brasil seria mais danosa que o ópio no oriente.

Em 1938 sob a ditadura de Getúlio Vargas, o governo brasileiro publica o decreto lei   n. 891 que regulamentava as atribuições da Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes (CNFE), criada em 1936 e previa penas de prisão para ouso e porte pra consumo pessoal. Em 1946, após a constatação que a planta continuava a ser cultivada e consumida em estados da região nordeste a CNFE promoveu o Convênio Interestadual da Maconha com relatório final escrito pelo Dr. Pernambuco onde se estabeleciam normas como Destruição de todas as plantações de maconha, Estimular a classe médica a promover estudos sobre os ‘males’ da maconha e sobre as características dos usuários e Registro dos cultos afro-brasileiros onde se faz uso da planta, a partir de fontes médicas e sociológicas, e encaminhamento dos dados às autoridades responsáveis. Em 1959 a CNFE encomendou um relatório ao Dr. Décio Parreiras que serviria de base para a delegação brasileira na Convenção Única de Entorpecentes de 1961.

O relatório afirmou que ninguém poderia falar em dependência em maconha, no máximo em hábito. Porém as autoridades brasileiras ignoraram o relatório e a delegação brasileira em 1961 sustentou a sua posição e exigiu  restrições à maconha iguais as do ópio. Mas uma vez processo bastante parecido com o ocorrido nos EUA, quando o presidente Nixon ignorou o relatório elaborado por uma comissão de cientista montada para lhe auxiliar sobre a legalização da maconha. Em 1968, em plena ditadura militar, um novo decreto passa a estabelecer penas iguais para usuário e traficantes. Em 1976 e promulgada a inovadora Lei de Tóxicos, que passou reunir todos os ordenamentos jurídicos relacionados com o tema em apenas um documento. Com essa lei o usuário passa a ser ainda mais criminalizado e uma nova tipificação é criada, a apologia ao uso de drogas, que punia qualquer um que falasse de suas qualidades ou de sua liberação. Porem nas últimas quatro décadas o cenário vem mudando e a maconha passar a ser bem mais tolerada no Brasil.

A partir de 1986 estudantes, artista e intelectuais começam e realizar debates e manifestações pela legalização da maconha. A década de 90 foi marcada pelas manifestações da banda Planet Hemp que chegaram a ser presos acuados de apologia. Na década de 2000 surgiu um forte movimento, já conhecido pelos leitores da hempada, baseado em espaços de discussões na internet. Em 2006 entrou em vigor a lei 11.343, que seguindo as tendências das ultimas décadas traz umas serie de avanços como a substituição de penas de encarceramento por medias alternativas, que vão desde advertência verbal a prestação de serviços a comunidade, para usuário e plantadores para consumo próprio. Mas ainda é uma lei muito contraditória já que prevê pena de encarceramento para o crime de “Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem” e não estabelece limites de quantidades para distinção entre plantio pra consumo próprio e para o trafico, deixando a critério do juiz, o que tem feito muitos usuários ser presos acusados de trafico.

Analisando a historia da planta não é difícil perceber que sua proibição vem funcionando com eficácia como forma de controle social. No Brasil ela foi proibida em um contexto de estigmatização da população negra e de repressão as suas praticas culturais e religiosas como a capoeira e o candomblé. Hoje em dia é uma política que vem criminalizando os pobres, tendo em vista que, segundo estudo realizado pelo ministério da justiça, a grande maioria dos presos por crimes relacionados às drogas são pequenos distribuidores, pegos com pequenas quantidades e desarmados, portanto, sem relação com os grandes traficantes e organizações criminosas.

Fonte: https://www.encod.org/info/Falta-alguma-coisa-na-historia-da.html

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

[Ed. #43] Hemportagem: Coronel Também é a favor da Legalização!

por Pietro

Em outubro deste ano, o Rio organizou a Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, reunindo especialistas no assunto vindos de países como Alemanha, Estados Unidos, Colômbia e Inglaterra. Rafael Pardo, um dos comandantes que derrubou o cartel de Medelin, na Colômbia, expõe sua opinião a respeito do problema e da solução. Rafael diz que na Colômbia o maior problema se dava devido à corrupção da policia. Já a opinião do ex-chefe da Policia Inglesa é outra, quando prende-se um traficante, logo outro toma o seu lugar; é um esforço em vão. A mesma idéia é defendida pelo ex-chefe da polícia de Nova Jersey, EUA. Por outro lado, o diretor de Combate ao crime organizado da Polícia Federal brasileira discorda:

“Supondo, hipoteticamente, que as drogas fossem liberadas por lei, a partir de amanhã, nós acabaríamos com a violência no Rio de Janeiro? Me parece que não! Porque existe um grupo… existem um grupos de pessoas já profundamente envolvidas com o crime, com a exploração desse crime, que ficariam sem emprego.”

A matéria continua, demonstrando imparcialidade. De volta aos estúdios da Globo, uma entrevista ao vivo com o Coronel Jorge da Silva, ex-chefe do Estado maior da Policia Militar do Rio, Cientista político e Professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. O coronel inicia sua entrevista deixando claro que teve uma mudança de opinião de alguns anos para cá. Ele deixa claro o sentimento que é gerado dentro da academia policial em repressão à droga, em repressão ao próprio usuário. Sentimento esse, que fez com que o coronel defendesse por muitos anos a idéia de que o usuário deveria ser fortemente reprimido. Para alegria aos defensores da Hempada, já não é mais este o pensamento do coronel, que concorda que a guerra falhou, e que o usuário é apenas mais uma vítima deste sistema.

A entrevista que é composta  por 10 minutos carrega muita informação a respeito da descriminalização. Mostra que o Brasil também possui grandes nomes que defendem a descriminalização das drogas. Usuário não é criminoso, ele existe antes mesmo do tapa virar crime.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

[Ed. 42#] Hemportagem: Cultivo X Tráfico!

por Henrique Alencar

Uma das principais formas de legitimar a criminalização do usuário vem sendo o discurso que é o usuário quem financia o trafico e, conseqüentemente, toda a violência gerada por ele, daí o pensamento que se não houvesse alguém pra comprar não existiria o trafico. Porém os próprios os usuários de maconha estão provando mais uma vez a falsidade de tal discurso e mostrando que existem formas bem mais humanas e eficientes de se pensar a questão.

Cresce cada vez mais o número de pessoas que plantam sua própria erva como forma de redução de danos (tendo em vista que os maiores danos a que um usuário de maconha se expõe estão relacionados ao seu status ilícito e a sua associação ao crime organizado aos quais ele deixara de se expor tendo sua maconha plantada em casa) e como uma forma de boicotar o tráfico. Em muitos países, como Bélgica e Espanha por exemplo, essa estratégia de auto cultivo foi adotada pelo governo com iniciativas como o cannabis social club, que consiste na formação de associações sem fins lucrativos que organizam o cultivo de quantidades limitadas de maconha, suficiente apenas para cobrir as necessidades pessoais dos membros do seu clube, com toda a produção fiscalizada pelo governo.

Mas como no Brasil nem o debate esta liberado , já que varias marchas continuam proibidas de acontecer por todo país, a iniciativa teve que partir dos próprios usuários que cada vez mais cultivam em seus jardins ou montam um grow em seus armários como é feito em muitos outros países, porém clandestinamente. Vale lembrar também de iniciativas de ativistas como a galera do Growroom que lançou uma campanha que propaga a idéia do cultivo caseiro de cannabis como forma de desarticular o crime organizado. Segundo a lei 11.343/2006 plantar cannabis pra consumo próprio tem pena equivalente a de usuário,porem não estabelece limites de quantidades, deixando a critério do juiz, o que faz com que muitos que plantam pra consumo próprio acabem sendo acusados e presos como traficantes.

Além das autoridades brasileiras não buscarem uma alternativa que efetivamente acabe ou reduza o poder do trafico como a citada anteriormente, ainda prendem pessoas que fazem. Ai ficam as questões:

A quem interessa a manutenção dessa política estúpida de guerra às drogas?

Quem é mesmo que financia o tráfico?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

[Ed. #41] Hemportagem: Militância Informativa!

por Pietro

Nos últimos meses nos deparamos com uma série de espaços abertos para o debate a respeito da atual política de drogas. Passamos por um debate moderado pelo Lobão na MTV, um debate um pouco tendencioso pelo programa do Ratinho, recentemente dois debates proporcionado pela blog do jornal O Globo, o SobreDrogas. A real importância é que o assunto seja debatido, qualquer tipo de mobilização à respeito da idéia da legalização é responsável por proporcionar um pensamento que leva os ouvintes a gerar uma opinião sobre o assunto. A favor ou contra o importante é que o assunto seja discutido.

Pela internet existem muitos meios que mantém as chamas da discussão acesa, é muito importante o papel dos que se envolvem em tais meios. Além de se manterem atualizados quanto ao assunto fazem o papel de transmitir informações que os outros meios deixam de transmitir. Esse é o papel de sites como o Growroom, que mantem um espaço aberto para o debate e a comunidade Legalização Consciente, que tem muitos usuários do Orkut atualizados das discussões e sempre dando espaços para que cada um exponha sua opinião.

Imagem do debate no Oi futuro – Extraído do SobreDrogasOs espaços de discussão sempre foram famosos, e neste ano um deles foi revolucionário. A praticidade do Twitter que permite que você exponha sua opinião rapidamente revolucionou os meios de divulgar opiniões, com tags como #Maconha ou o famoso #ForaSarney que permite que você saiba das ultimas atualizações do assunto. Para que o movimento faça barulho é necessário que todos twittem os verdadeiros problemas que afeta o Brasil. #BastaBrasil nós queremos mudança.

Incentivar o debate é mais uma meta que todos devem alcançar, com as palavras de Renato Cinco.

“É muito importante promovermos o maior número possível de debates sobre a legalização. Podemos fazer isso de duas maneiras:
Debates públicos: em universidades, sindicatos e etc.
Debates privados: em residências (ou outros locais privados) para um número restrito de pessoas. Apesar de menores, costumar ser mais profundos.
Pense bem, será que você pode organizar um debate?
Estou a disposição para ajudar e participar de debates. Quem estiver interessado mande um email para mim: renato_cinco@yahoo.com.br"

É a importância de promover os debates, seja em casa, na escola, na faculdade, na internet, na comunidade... o importante é que o assunto seja debatido. E o Hempadão incentiva a criação de debates e garante aos leitores sempre mante-los informados a respeito destes encontros que muitas vezes são esquecidos pelas mídias convencionais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

[Ed. 40#] Hemportagem: A Caminho da Legalização!

por Pietro

Ultimamente questiona-se: quem está sendo mais silencioso? De um lado temos os Estados Unidos legalizando a marijuana gradativamente, e do outro a mídia brasileira, que não divulga nenhum dos acontecimentos. Mas se você é leitor do Hempadão vai estar por dentro desta onda verde que vem tomando as Américas.

Michigan é a décima terceira nação americana a optar pela legalização medicinal da maconha, nos Estados Unidos. Através de votos populares no estado, a sociedade definiu que o uso medicinal de maconha ajudaria 50.000 sofredores de doenças como Câncer, AIDS e Alzheimer. Dois terços da população votaram que tal mudança deveria ser feita na lei estadual. Na semana seguinte algumas universidades começaram a oferecer cursos de “Como plantar marijuana”.

Também através de plebiscito, o estado de Massachusetts descriminalizou o pequeno porte de maconha. O ato que antes resultaria em cadeia, agora resulta apenas na apreensão da erva e uma multa de 100 dólares. Para menores que forem pegos a lei é mais severa: uma multa de 1.000 dólares e mais comparecimento a palestras antidrogas.

As pressões dos partidos liberais sob o governador Arnold Schwarzenegger vem aumentando, muitos economistas dizem que agora é a hora perfeita para o estado da Califórnia, o maior estado dos estados unidos, legalizar o uso recreacional. Isto daria um grande impulso ao nosso movimento o que também implicaria na impossibilidade das mídias brasileiras deixarem de tocar no assunto. A máquina já está ligada, e aquecida. Quando der a partida não terá mais como segurar, é o Hempadão falando a respeito da legalização! Até semana que vem!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

[Ed.#39] Hemportagem: O que é Purple Haze?

As plantas que geram buds roxos existem. Digo isso porque existem pessoas que simplesmente não acreditam que isso exista, ou alegam que é "algo do laboratório" ou "alguma química estranha", como se não fosse mais do que claro que o número de espécies genéticas hoje da Cannabis seja sim devido  a cruzamentos feitos pelo homem em laboratórios! São milhares de cruzamentos, testes e experiências.

Acontece que existem dois tipos de plantas roxas: as verdadeiras (figuras acima) e as falsas (ao lado). As primeiras têm uma tintura roxa natural da planta, mas representam apenas  15%  das existentes. As outras 85% são falsas pois a coloração roxa é induzida através de queda de temperatura  e/ou  depravação controlada na luminosidade no final de sua floração. Quem planta faz isso para poder cobrar mais caro, simples assim.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

[Ed. 38#] Hemportagem: FHC em Documentário!

por Pietro e Henrique Alencar

Nas ultimas semanas uma manchete toma conta do país. Questionado pelas intenções do lançamento ser próximo a uma época eleitoral, o filme de Lula recebe grandes criticas da oposição. O fato de o atual presidente da republica estar como cabo eleitoral da candidata Dilma Rousseff faz com que os opositores questionem a estréia do filme. Mas como já foi dito, as manchetes tomaram conta com tal assunto e não é disso que nós vamos falar. Alias, é de um filme sim e que também tem relação com um Ex-Presidente do Brasil.

Nosso companheiro Fernando Henrique Cardoso tomou novamente a rédeas da proibição e ruma ao grande passo a diante. Acompanhado do diretor Fernando de Andrade, irmão do apresentador Luciano Huck, FHC embarcará em uma nova missão hasteando a bandeira da nossa ideologia. Protagonizando o documentário “Rompendo o Silêncio” FHC será o personagem central, e fio condutor, do documentário. Ele vai subir o morro para conversar com as vítimas que sofrem com a guerra às drogas. As comunidades a serem documentadas ainda não foram escolhidas, mais as principais candidatas são a Rocinha, Pavão e Pavãozinho.

O documentário, segundo o cineasta: “Queremos apontar uma saída mais humana e mais eficiente, com a lógica da paz e não da guerra. (...) A gente vai ouvir vários lados, mas há uma distância muito grande entre dizer que vamos ouvir vários lados de dizer que vamos ouvir traficantes. A ideia é refletir e apontar soluções para o problema” Fonte: Site Tudoagora. Como nós do Hempadão sempre dissemos, a represália causada pela guerra contra as drogas é mais danosa à sociedade do que o consumo da própria droga. Alimentar o poder bélico destas organizações criminosas, através da ilegalidade de um determinado produto, nunca foi e nunca será a melhor solução para o problema. A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Rio declarou que não haverá esquema especial de segurança diante as entrevistas com criminosos.

Além de imagens do rio, o filme contará com imagens de São Paulo, da Europa e dos EUA e também contará com a participação especial do ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, deixando bem claro a elite de intelectuais que já defende a nossa ideologia, que merecia um espaço respeitável de debate frente à sociedade. Está na hora de parar de fechar os olhos para este problema social e começar a resolver da forma que uma democracia resolveria. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

[Ed. #37] Hemportagem: Colorado Legalized! Mais um passo...

por Pietro

Na surdina o gigante dá um grande passo a nossa frente. Nesta terça-feira foi realizado um plebiscito na cidade Breckenridge, no Colorado, e com 73% dos votos a cidade se viu obrigada a legalizar a maconha e seus derivados. É a primeira cidade americana a legalizar o uso recreativo da planta e também a venda de equipamento relacionado ao consumo de cannabis.

“Este voto demonstra que a vasta maioria dos cidadãos de Breckenridge acredita que adultos não devem ser punidos por tomarem decisões de usar substâncias mais saudáveis e menos toxicas que o álcool." Disse a rede ABC.

O porte continua sendo ilegal de acordo com as leis do Estado, mas o chefe de policia Rick Holman disse que a policia agirá discretamente. Como já foi dito no Hempadão, desde a substituição de George Bush por Obama as políticas norte americanas vem se tornando mais flexíveis em relação a maconha. A primeira medida tomada por Obama foi parar de reprimir as farmácias da Califórnia cuja a maconha era vendida sob o pagamento de impostos. Além disso, Obama também autorizou que qualquer estado que tivesse interesse na legalização medicinal da maconha poderia faze-lo contanto que regulado.

O Estados Unidos passa por um período de re-democratização e re-avaliação da falha política anti-drogas criada e patrocinadas por eles. Pelo visto: O preconceito lá nasceu e lá vai morrer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

[Ed. 36#] Hemportagem: Azeredo vai ser julgado! Um dia…

por Pietro e Henrique Alencar

Nossa Bad List acertou ao colocar o senador Eduardo Azeredo nos conferes da lista negra. O ex-ditador virtual que ficou famoso pelos seus projetos contra a liberdade virtual passou por maus bocados nesta última quarta-feira. Mas como o Brasil tem um extensivo horário de almoço, o julgamento será adiado e terá uma nova data nesta quinta-feira. O senador mineiro está sendo acusado por envolvimento em um suposto esquema de caixa dois durante sua campanha para reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998.

“A denúncia aponta que o esquema do mensalão mineiro permitiu o financiamento da campanha com recursos públicos de empresas como a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), a Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais) e o Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais), além do repasse de verbas de empresas privadas com interesses econômicos no Estado.” Fonte: BOL Notícias

Por mais longínquo que seja um projeto de 1998 ser julgado apenas agora, a votação para  decidir se o senador será cassado ou não foi adiada por um dia, dando além dos 11 anos, mais um dia para a defesa do senador.Uma pessoa que se  opõe à liberdade de expressão e à democracia de informação que é a internet, não deve ser alguém que carregue bons ideais. E a BAD LIST falou e disse quando se expressou com o “EDUARDO AZEREDO, MEU VOTO NUNCA MAIS.”

Agora resta a nós, meros mortais, aguardar o julgamento do senador e rezar fervorosamente para que nossos políticos honrem a constituição, para que a justiça bata o pé, e para que o juiz tome voz diante do tribunal. Assim poderemos dormir sossegados, com a certeza de que neste jantar não será servida a tradicional pizza brasileira.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

[Ed#35] Hemportagem: Política de Saúde – Redução de Danos!

por Pietro e Henrique Alencar

Nos meados de 90 o plano de redução de danos começou a se tornar popular. Foi na Europa que o movimento começou. Preocupados com a rápida proliferação do vírus da moda, HIV, o projeto de redução de danos foi uma tentativa de frear o crescimento de infectados pela Europa. O primeiro plano surgiu com a distribuição de seringas para usuários de drogas injetáveis, implantado pela UFBA. Apesar das críticas dos conservadores e da mídia, o projeto tinha o intuito de reduzir os danos causados pela droga e definitivamente teve tal meta alcançada.

No Brasil, o ministério da saúde adota pequenas medidas de redução de danos. Como no caso da lei 11.343 que descriminaliza o usuário de maconha, ou a nova lei municipal anti-fumo que não permite que os usuários de cigarros fumem em locais públicos ou cobertos. Certas ONGs como a ABORDA e a REDUC defendem tal projeto, mas infelizmente sofrem o preconceitos por conseqüência dos tabus da sociedade.

spliffboyhg4 (1) Já foi dito por Voltaire, as drogas fazem parte da sociedade. Elas existem antes mesmos das leis proibicionistas, tais leis apenas intensificaram os danos causados aos usuários, através da repressão. Muitos países optam pela doutrina que ao invés de combater as drogas procuram meios de reduzir os danos causados por ela ou no mínimo tentar administra-los. Como por exemplo os EUA que carregam uma política de maconha medicinal, que regula e administra os usuários de maconha. A Holanda optou por uma total legalização, transformando traficantes em grandes empresários. Na Alemanha o pequeno porte de maconha ou haxixe é permitido, diferenciando assim os pequenos usuários dos grandes traficantes.

É  necessário que informemos meios para que haja uma redução nos danos causados pelo uso efetivo de cannabis:

  1. A maconha ainda é uma droga ilegal, o maior dano que ela pode causar é o contato dos usuários com a Policia. Evite transportar ou portar grandes quantidades de maconha.
  2. A cannabis é um psico-ativo que tem como reagente efeitos alucinógenos. Evite fumar para ações que requerem atenção. Como estudar, trabalhar ou dirigir.
  3. Não crie hábitos, fume por vontade e não por necessidade.
  4. 200px-Volcano_Vaporizer Acessórios como Bongs e vaporizadores [foto ao lado] resfriam a fumaça causando menores danos a garganta.      
  5. Caso você seja um usuário freqüente, diário, experimente dar “uns tempos” esporádicos. Ajuda o seu organismo e te torna menos resistente.
  6. Drogas são drogas, evite misturá-las.
  7. Muitas das pessoas são vitimas de “Bad Trips”, caso aconteça uma com você ou com alguém próximo de você. Procure um lugar calmo, relaxe e pense que nem um dano maior poderia ser causado pela cannabis os efeitos são psicológicos e temporários.
  8. Não fume durante a gravidez, você agride um segundo organismo que não tem nada a ver com a sua decisão.
  9. Evite utilizar “roachs” (piteiras) elas melhoram a circulação de ar pelo cigarro, mas faz com que a fumaça venha muito mais quente e menos filtrada. Causando maiores danos a garganta.
  10. A qualidade da erva é um fator importante, como a proibição não permite que você plante e fume uma erva natural evite fumos de má qualidade que carregam misturas de folhas, produtos químicos e sabe-se lá o que mais.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

[Ed. 34#] Hemportagem: O Absurdo da Proibição – Le Monde!

por Pietro

Uma das revistas mais conceituadas do Brasil, Le monde Diplomatique, teve neste mês de setembro um matéria principal com o título bem direto: Acabar com Narcotráfico! A matéria não é só da boca para fora, ela foi escrita embasada por muitos intelectuais que compõem altos cargos em suas profissões. Caco Barcellos, autor do livro “Abusado”, John Grieve, Luciana Boiteux, Marco Magri, Thiago Rodrigues e Victor Palomo, fizeram parte da pauta.

Quando vamos tratar do tabu legalização e mídia Brasileira é sempre esperado que fiquem brechas para críticas, mas este não é o caso. A reportagem começa com “10 motivos para se legalizar as drogas” e é escrita por um comandante da unidade de inteligência Criminal, Scotland Yard. Dentre estes 10 motivos ele deixa claro que a política proibicionista nunca funcionou e que ao contrário, só gerou mais problemas. A matéria explica todo o processo de proibição das drogas, passando por todas suas etapas. Desde o começo lá nos Estados Unidos quando as drogas ainda eram vendidas livremente em farmácias, e seus processos de criminalização baseados no racismo, xenofobismo e disputa política. Entre estas drogas estava o Álcool, época da famosa “Lei Seca”. As “Empresas Religiosas” investiram fervorosamente na guerra contra as drogas, que por fim levou a criminalização, transformando assim da noite pro dia milhares de produtores e consumidores em foras da lei. Vale ressaltar um pedaço do texto de Thiago Rodrigues:

Racismo, xenofobia, negócios e moralismo são as raízes da atual conjuntura proibicionista. As drogas – que sempre fizeram parte da cultura humana – foram divididas em lícitas e ilícitas por motivos arbitrários políticos. A problematização da proibição e a tentativa de encontrar soluções são vitais para a superação dessa utopia punitiva.”

Ele também diz que atualmente foi lançada uma campanha no Brasil que dizia ser o usuário o financiador do tráfico, quando na verdade o usuário existe antes da ilegalidade, portanto é o próprio governo que solicitou um mercado negro para atender a demanda destes usuários.

A revista segue com uma entrevista direta com Caco Barcellos, jornalista que viveu, trabalhou, e trouxe a história ao mundo sobre um dos primeiros morros habitados do Rio de Janeiro, o Santa Marta. É tanta informação produtiva que seria impossível resumir aqui, mas ele deixa claro que a proibição deixa as classes pobres e as pessoas negras sujeitas a um maior preconceito. Caso sejam apanhados com drogas, essa parte de população é logo julgada como verdadeiros criminosos. Caco por suas experiências no morro mostra também o outro lado da moeda, a nascente do crime, aonde surge o sentimento de revolta, a necessidade de dinheiro, a ausência de pais e de estado que acaba por ser suprida pelo tráfico.

O combate às drogas foi e é um tremendo fracasso. Bilhões são investidos anualmente para tentar combater um inimigo invisível, um inimigo que pode ser desde um criminoso empunhando armas à um inofensivo pai de família. Muito investimento e o consumo de drogas aumentando drasticamente nos leva a pensar: Será mesmo essa a melhor saída?

A idéia de professora de direito penal Luciana Boiteux é a de que descriminalizar o uso da maconha reduziria em grande parte os gastos em presídios com cidadãos que na verdade não são criminosos. Um futura legalização permitiria que os impostos retirados da mesma pudessem ser investidos em um projeto de redução de danos, por exemplo.

A revista também trás dados indicando que os casos de dependência, de forma forte e relevante, em drogas químicas é de uma minoria. Ela de fato existe, mas com a ilegalidade das drogas é impossível gerar um controle e uma ajuda as pessoas dependentes. Além de que a idéia da ilegalidade faz com que a polícia e o Estado optem por soluções violentas ao invés de soluções inteligentes. Para aqueles que tem condições, a revista Le Monde Diplomatique vende em qualquer banca por um preço justo de R$ 8,90. Poder ter a opinião de tantos intelectuais abordando este problema e levantando a nossa bandeira é uma ocasião que não deve ser perdida. Além de muita informação é uma poderosa arma em qualquer debate. Para uma legalização consciente é preciso conhecimento da nação sobre o assunto.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

[Ed. #33] Hemportagem: Boletim de Ocorrência Part. V!

por Pietro

Estamos aqui de novo pela quinta vez, e o pessoal não se cansa de ver quem são os famosos que estão do nosso lado. Cada B.O. carregou consigo uma temática, o primeiro dos B.O.s mostrou-lhe 10 artistas que já foram presos por porte de Marijuana, encanamos na realidade de que até o Bob Marley já havia sido preso. No segundo B.O. por decisão do público nos fizemos 10 artistas nacionais que já rodaram por causa da nossa santidade, como o Gil e nosso querido D2. Viemos com tudo e no terceiro B.O. foram artistas flagrados no ato ao degustar o seu cigarrinho, dentre eles estavam o presidente Barack Obama e seu amigo Arnold Schwarzenegger. E não parou por ai, no quarto B.O. fizemos um especial de ídolos que defendem a causa e tivemos na nossa lista a maravilhosa Megan Fox e o cem metros rasos Michael Phelps.

Este é o B.O. V e para caracterizar esta marcante passagem vamos abordar uma das grandes e significativas temáticas: A Política! Trataremos dos políticos que nos apóiam e o que já fizeram pela nossa causa. So… Enjoint!

40 – Fernando Henrique Cardoso (FHC)

Para carregar o primeiro lugar da nossa quinta edição, nada mais nada menos do que o ex-presidente da republica, fumou mas não tragou, Fernando Henrique Cardoso. Fernando, um intelectual formado em três faculdades, hoje faz parte da Comissão Latino Americana de Drogas, e luta fervorosamente pela descriminalização da maconha.

41 – Paulo Teixeira

Paulo Teixeira é um deputado do PT de São Paulo. Ele criou um projeto que está para votação no congresso. Com este projeto ele visa a legalização da venda, do plantio e do porte de drogas leves como a maconha. Este seria o futuro da nossa nação, e está tudo na sua mão. Vai lá Paulo!

42 – Tarso Genro

Ministro da Justiça, Tarso Genro faz parte da elite de políticos brasileiros que são assumidamente a favor da legalização da maconha. De acordo com ele e com muitos que defendem a causa, a maconha é um caso de saúde e não um caso de policia.

43 – Carlos Minc

Mais um dos nossos Ministros, e esse já bem famoso. Carlos Minc é ministro do Meio Ambiente. Fez parte da Marcha da Maconha e foi alvo de muitas críticas e acusações feitas pelos “santos” políticos que regem o nosso governo. O Minc também deu uma declaração em pleno show do Tribo de Jah deixando claro que a sua posição é igual a do Tarso.

44 – Soninha

Soninha era apresentadora da Tv Cultura, já na época deu uma declaração de que era a favor da legalização da maconha. Infelizmente seus patrões não viram a declaração como expressão de suas opiniões e ela foi demitida. Em 2008 ela se candidatou a governadora do estado de São Paulo e acabou sendo alvo de muitas criticas de revistas e outros candidatos como o “estupra mas não mata”, Paulo Maluf.

fernando_gabeira-91 45 – Fernando Gabeira

Autor do livro, “A Maconha” Fernando Gabeira foi candidato a prefeito do Rio de Janeiro nas últimas eleições e infelizmente perdeu para Eduardo Paes. Gabeira apoiou a descriminalização da maconha e em seu livro expôs os reais problemas que a criminalização causa. “Sobre o problema das drogas, sou uma referência, um dos poucos políticos que estudou o assunto. Acho que a descriminalização pode dar certo no futuro, mas depois que tivermos uma polícia competente e bem articulada. (…)”

temporao 46 – José Gomes Temporão

O ministro da saúde José Gomes Temporão, após a declaração da Comissão Latino-americana sobre Drogas, disse que era a favor do debate. Como argumento disse que os presídios estão cheios e que um usuário de maconha só tende a se denegrir mais em um ambiente como aquele.

47 – Felipe Calderón

Presidente do México, que faz parte da comissão latino americana sobre drogas e democracia. Legalizou o pequeno porte de drogas em seu país. Entre elas Maconha, Haxixe, Heroína, Ecstasy, entre outros. O presidente impressionou com tal lei, uma vez que o mesmo é político conservador de centro-direita.

SGGaviria 48 – Cesar Gaviria

Ex-presidente da Colômbia, Cesar Gaviria faz parte da Comissão Latino-americana sobre Drogas, assim como FHC. A diferença é que a Colômbia recentemente legalizou o pequeno porte de drogas como maconha. Agora é a vez do Brasil?

49 – Partido Verde

Para finalizar vale citar o partido todo, liderado por Paulo Cento, o Partido verde é um partido aliado ao Partido Comunista da Itália. Este partido italiano gerou uma manifestação um tanto quanto polêmica no último mês. A Itália aprovou uma lei totalmente repressiva aos usuários de maconha. O partido junto com os políticos da oposição acenderam um baseado e foram passando de mão em mão em frente ao parlamento italiano. Vale lembrar que durante a aprovação da lei os esquerdistas levantaram placas escrito “Vamos enrolar as leis repressivas e fumá-las”

Este B.O. fica por aqui, mas vale lembrar que se a galera entrar na roda e pedir a sexta edição nós aqui nos esforçaremos para trazer para vocês leitores de sempre. O que vale para nós é levar a informação a vocês do jeito que vocês gostam de receber. E não percam neste domingo no Downdois o filme que foi democraticamente escolhido na roda: The Union – The Business Behind Getting High.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

[Ed. 32#] Hemportagem: Formação da Resistência Virtual!

por Pietro e Henrique Alencar

“Se nada der certo, eu viro Hippie”, se tornou uma frase conhecida e até com uma pitada de sarcasmo. Não para aqueles que viveram a época das flores, os chamados anos dourados. Caindo de cara na história, a época das flores, na década de 60, foi marcada por diversos tipos de manifestações contra o que reprimia a sociedade a época. Movimentos como os beatniks, os Black Panthers e os famosos Hippies. Os hippies nasceram nos Estados Unidos, era um movimento popular de classe média que de uma forma pacífica se manifestava pelo fim da guerra do Vietnã. Carregavam consigo lemas como “FAÇA AMOR NÃO FAÇA GUERRA” ou “PAZ E AMOR”. Uma grande característica dos manifestantes denominados hippies era o uso de certas drogas, dentre elas maconha e LSD. Pós fim da guerra do Vietnã o movimento perdeu grande força devido à falta de ideologia.

Mas sobre os hippies não há quem não conheça, hoje a Hemportagem vai abordar sobre outros tipos de manifestantes, sobre outro tipo de movimento. Um movimento que nasceu no ano 2000 e que aos poucos foi invadindo casas e seqüestrando a atenção de seus seguidores. Os sítios virtuais a respeito da maconha, não se sabe gradativamente a ordem em que foram criados, mas um dos primeiros espaços virtuais foi o fórum a respeito do plantio Growroom, que nasceu em 2002, segundo o pesquisador Sérgio Vidal que se manifestou aqui na Roda. O GR abriu um espaço democrático para a discussão da cannabis na internet, mas como os avanços só necessitam de um mero empurrãozinho para decolar, partimos adiante. Em 2004 foi organizada a primeira marcha (passeata) verde do Brasil, que de forma inconstitucional foi fortemente reprimida pela policia. Com o tempo a internet foi ganhando maior poder de voz, e a inclusão digital permitiu colocar a par da situação quem vivia às margens da informação. Em 2007 é organizada no Rio a primeira Marcha da Maconha de fato, um movimento que ocorre mundialmente, junto com a primeira Marcha surgiu o fórum de discussão da Marcha. Para aqueles que acompanham o Hempadão desde o começo obteve informações dia a dia a respeito desse movimento

A marcha primeiramente foi organizada para ocorrer em 10 cidades, das quais apenas duas conseguiram prosseguir devido a uma ação estadual criminalizando o movimento como apologia ao uso de drogas. Vale lembrar ao leitor que tanto a Marcha como Hempadão defendem a mudança da legislação brasileira a respeito da criminalização da maconha e não possuem fins de apologia. Em 2009 a opção foi entrar com uma liminar de habeas corpus previamente para assim poder ter uma resposta do Ministério da Justiça antes da realização da manifestação. Mas no país das maravilhas para tudo se dá um jeitinho, e o Ministério nos enrolou e deixou para última hora a emissão da liminar que proibia o manifesto, impedindo assim que os organizadores da Marcha pudessem recorrer ao caso.

Passado é passado, e só temos a aprender com isso. Felizmente o Ministério está revendo as ações injustas tomadas no passado e agora libera o habeas corpus para Marcha da Maconha que ocorrerá dia 5 de dezembro em Salvador. Uma das maiores armas da mídia é a contra-mídia, com as proibições do ministério divulgadas e bombardeadas diariamente na mídia o povo se mobiliza e dessa intervenção estatal nascem dezenas de sites apoiando o movimento. Como o coletivo DAR que defende o movimento anti-proibicionista de São Paulo. E o coletivo baiano, Ananda que assim como Hempadão trabalha com as teses de redução de danos e disseminação de informação.

Todo esse processo fez parte da massa dessa grande Hempada que hoje ajuda a combater a fome de informações que os nossos leitores tanto careciam. Vale lembrar que do caos da guerra é que surgem as revoluções e as maiores invenções. E foi desta guerra que nasceu o coletivo virtual em prol da legalização da cannabis que cresce diariamente graças aos novos blogueiros e aos novos e antigos leitores. Educação é a chave de qualquer revolução!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

[Ed. #31] Hemportagem: Maconha Legal na Califórnia, como?!

por Pietro

Muitas foram as vezes em que os nomes de Amniano, Arnold Schwarzenegger e do estado  da Califórnia propriamente dito, foram citados nas Hemportagens e outras matérias. Porém sempre ficam dúvidas e cabe a nós esclarecer. Como um estado nos Estados Unidos conseguiu alcançar a legalização da Cannabis? Como que se conseguem carteiras medicinais para se fumar legalmente na Califórnia?

A Califórnia mantém um sistema de legalização medicinal, esquema cujo governo oferece assistência médica especial para o caso. A maconha pode ser facilmente adquirida em farmácias especializadas e para comprá-la é necessário que:

♦ Tenha a maioridade penal da Califórnia, 21 anos.

♦ Tenha documentação e residência no estado da Califórnia.

♦ Pague a taxa de aproximadamente 50 dólares para a consulta. Que deverá ser renovado anualmente.

♦ Apresente qualquer tipo de doença ou dores, seja crônica ou de grande relevância. Dentre elas Glaucoma, Dores de Cabeça, Câncer, AIDS, Dores nas Costas, Insônia, Má Digestão, Dores no corpo e etc...

Feito isso você estará  apto a receber a sua carteirinha para uso medicinal no Estado da Califórnia.

Após conseguir a carteirinha com a sua foto reafirmando ao seu ego “SIM, AGORA EU FUMO LEGALMENTE” você irá se dirigir a farmácia canábica mais próxima e escolher os camarões dentro de potes ou pendurados em varais. Com a legalização, a farmácia se torna um mercado que acaba por gerar lucro de capital interno e estadual. A maconha que gera 13 bilhões anuais na Califórnia é uma forma de trazer dinheiro para o governo, mas não só a ele.

Se você já tem a carteirinha de maconha medicinal por mais de um ano, você pode  seguir rumo ao norte da Califórnia onde é possível adquirir a carteirinha para plantio. Com uma carteirinha lhe autorizando o plantio você pode ter até 10 pés, plantados em sua fazenda. O detentor da carteirinha não está autorizado a vender estes produtos, por isso acaba gerando um segundo mercado. Não é do mercado negro, é da relação de colonos. O dono da  carteirinha “aluga” sua credencial a um dono de fazenda que já tenha o negócio implantado de plantar Cannabis. Este latifundiário chega a juntar em média 10 á 15 carteirinhas, podendo assim alcançar uma monocultura de 150 pés. A relação de colono não se dá somente a isso, o cliente que entregou a carteirinha tem que 1 mês por ano ir até a fazenda trabalhar no sistema de podação das plantas e como recompensa ele recebe ou 3,200 dólares ou 1 Pound (Que seria meio Kilo de Cannabis Indica). É importante destacar que o dono de uma carterinha para plantio tem a autorização de carregar consigo dentro do carro 4 pounds, 2Kg. A legalização da maconha só tem a oferecer um mercado novo e inexplorado para o capitalismo onde quem tem a ganhar somos nós como fumantes e como sociedade.