por Laura Lock
Elas têm carreiras estressantes e uma vida social invejável. Porque existem tantas mulheres inteligentes e bem-sucedidas acendendo um nas horas vagas?
Jennifer Pelham chega em casa e tira seu blazer, scarpin, e se joga no sofá. Ela tem 29 anos e é advogada de uma das firmas ‘top’ de advocacia em Manhattan. Cansada depois de um dia de muito trabalho – 12 horas – ela pede o sushi de sempre para jantar. Depois, pega uma garrafinha de plástico que estava no cantinho de seu criado mudo, do lado de um pipe de vidro e um isqueiro Bic azul. Ela abre a tampa, coloca cuidadosamente o bud verde no pipe e acende. Durante 30 minutos ela continua fumando, suficiente para acabar com o zumbido na sua cabeça. Depois, ela come.
“Eu odeio o termo pothead – parece que eu estou high 24 horas por dia, o que não é verdade”, diz ela, irritada. “Eu não preciso disso pra passar o dia. Eu simplesmente aproveito no fim do meu dia.” Seus rituais noturnos lhe custam apenas 50 dólares por mês, quase nada comparado ao custo mensal de sua academia ou uma noite de sábado com seu noivo, um banqueiro que ocasionalmente fuma com ela. Em forma – ela corre três milhas por dia – , Pelham insiste que maconha é o antídoto ideal para um dia cheio de trabalho: nunca a deixa de ressaca depois de um happy hour e não a deixa grog como o Xanax, remédio que o médico passou para sua ansiedade. “Parece que toda advogada que eu conheço tem algum vício”
Todo mundo conhece alguém como Jeniffer Pelham, uma trabalhadora cuja ideia para relaxar após um dia cheio não é com um copo de Chardonnay, mas sim com um trago (ou três) de maconha – não a todo tempo, mas regularmente. De acordo com um estudo recente da Administração de Abuso de Substâncias e Serviços de Saúde, aproximadamente 8 milhões de mulheres admitiram fumar no ano passado. A mesma pesquisa ainda revelou que uma em cinco mulheres que se assumiram fumantes ganham mais de U$75.000 por ano.
São apenas trabalhadoras que preferem um cone a uma garrafa. “Eu adoro tomar uma taça de vinho, mas ter que sair e participar de coquetéis não é muito agradável pra mim. E beber é muito mais caro”, diz Debbie Schwartz, uma produtora de reality show de 28 anos que se mudou recentemente de Los Angeles para Nova Iorque. Seu trabalho é rígido – 15 horas por dia coordenando milhares de fragmentos de gravações, administrando gastos, montando grades horárias para a produção. A empresa simplesmente cortou o orçamento dela pela metade, o que a deixou louca, cortando gastos de maneira que ela não precisasse despedir ninguém. Depois do trabalho ela não consegue pensar em nada que ela preferiria não fazer do que jogar um par de saltos e a maquiagem para acertar no bar local. “Eu passo uma hora na academia, depois volto pra casa e fumo um baseado, enquanto ouço um jazz e leio um livro – acabei de ler The Fountainhead. É o momento que tenho pra mim mesma antes de acordar e começar tudo de novo no dia seguinte. É o meu banho de espuma”, explica Schwartz. Ela não esconde seu hábito ilícito. Não há necessidade, já que várias pessoas no escritório usam o mesmo “traficante” – um colega que leva pedidos ao departamento deles.
Se o exemplo dela proa alguma coisa, isso é o quão ridiculamente fácil ficou encontrar maconha. Em algumas cidades, é tão simples quanto pedir uma pizza, entregue na sua porta.
Texto traduzido de matéria publicada na Revista Marie Claire