Post fantástico, psicografado por Manuel Leonam do blog Preta Milagrosa.
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Um amigo me chamou já umas duas vezes para nadar da praia de Icaraí, em Niterói, até uma ilha que fica umas poucas centenas de metros a frente. Segundo ele, o segredo é manter sempre a cabeça erguida e nadar sem espalhar água. Nunca fui. Não por receio de pegar alguma pereba na Baía de Guanabara, mas, porque, nadar pra mim é um exercício terrível. É o tipo de esporte que, a certa altura, a menos que você seja um profissional, não dá pra saber se você está fazendo aquilo pra superar seus limites, ou, simplesmente, para não morrer. E, no fim, o objetivo de tudo é simplesmente fumar um baseado na ilha “apreciando o visual”. A não ser que você se chame Michael Phelps, não é uma boa ideia.
Esses programas de “curtir o visual” ficam quase sempre num lugar difícil de se alcançar. Escala-se um penhasco, faz-se uma trilha no meio do mato e, então, se enche a cara de maconha, para, no fim, fazer um esforço fodido de concentração pra voltar sem morrer. Se eu quisesse uma droga para sair por ai pulando desfiladeiros, não estaria fumando maconha, estaria tomando algum tipo de anabolizante-esteroide. Sempre que o jornal noticia um grupo de jovens perdidos no meio duma reserva florestal qualquer, pode acreditar, é um bando de maconheiros que saiu da trilha pra se esconder do resto do grupo careta e fumar um baseadinho “curtindo o visual”. Agora estão cheios de larica, chorando no escuro, perdidos no quintal de casa.
Eu, particularmente, gosto de fumar maconha sentado no conforto do meu sofá assistindo a TV. Quem acompanha meus textos sabe que eu gosto de televisão, já falei disso antes. A programação televisiva fica 99 virgula muito porcento melhor quando se está chapado.
Tem quem se ache melhor por jogar fora seu tempo lendo livros em vez de ver TV. Assim como há excelentes programas (pelo menos quando se está chapado), há também péssimos livros. Além de nossas próprias mães, quase nada tem valor em si mesmo. Você lê Fernanda Young? Dá pra ver a cara doLuiz Fernando Guimarães saltando do texto! Você está assistindo a televisão também, só que de um jeito escroto, lendo. Quem lê Paulo Coelho, Stephenie Meyer, Dan Brown e merdas do gênero, está jogando seu tempo fora tanto quanto eu. Preencher o tédio com livros não fará da vida um romance. Talvez, sua vida não mereça ser vivida nem por um coadjuvante de novela e, quem sabe, o máximo que sua existência seja capaz de oferecer seja uma piada de mal gosto no meu blog. Por isso, a menos que você esteja escrevendo a porra dum livro, compondo uma música ou fazendo qualquer outra merda que te torne algo mais que um mero espectador, não faz diferença perder tempo com televisão ou com letrinhas, aguarde junto com os demais sua vez de ser varrido da história. Não tem esse papo de programação ruim da TV, sua maconha que é uma merda. A caixinha mágica socializa o desperdício de nossa existência. Coisa impossível de se fazer com livros.
“Ei! Olha só isso aí no fim do parágrafo, que legal!”
“Eu ainda não li o parágrafo inteiro! Obrigado por estragar a merda da surpresa.”
A coisa se agrava quando esse esnobismo literário vem da parte de um maconheiro. Isso mesmo. Se você cursou uma faculdade pública de ciências humanas sabe do que estou falando. O cara acende a porra de um charuto que mais parece a pica do Rocco e senta pra ler Heidegger. O sujeito está tão doidão que, se estivesse vendo TV e alguém mudasse de canal, não se daria conta. Mas, acredita ter uma compreensão profunda dessa merda mal escrita chamada filosofia. Quando o sujeito volta do banheiro, já não faz a menor ideia de onde enfiou o livro. Pior, ele pega outro livro qualquer, começa a ler como se fosse o mesmo e só não lembrasse a página onde parou.
Façam um favor a si mesmos, se estiverem chapadões, assistam ao Bob Esponja. E, se você é leitor de Helen Fielding, alugue de uma vez a porra do filme. Pense assim, nem Sidney Sheldon leu a maioria dos livros que escreveu. Deixe pra ver esses livros no cinema.
Aí está outro lugar bom pra curtir um barato, cinema. A desvantagem é que dentro do cinema não dá pra acender um baseado. Chegando já chapado, o auge da onda não coincidirá com o auge do filme. Então, leve alguns discretos brigadeiros de maconha. E, claro, escolha o filme certo. Você não quer desperdiçar sua onda assistindo a algum filme nacional ou um filme de “arte”. Pra que uma tela gigantesca com imagem digital, efeitos 3D, coisa e tal, pra ver nordestino passando fome ou favelado levando tiro? Você pode muito bem deixar pra curtir isso em casa conversando com sua empregada. Pra que sistema de som

Dolby Digital e o caralho a quatro pra ouvir a voz de entediado do Selton Mello? Atuação ruim, por atuação ruim, pra que perder tempo com Debora Secco, quando se pode ter Megan Fox? Se está atrás de diálogos profundos e uma grande história, leia um livro. A ideia é se divertir com a cara cheia de maconha, não é impressionar alguma garota pra levar pra cama.
Se sua maconha for realmente boa, dá até pra assistir Hannah Montana no cinema e se divertir. Vou compartilhar uma experiencia minha. Fui assistir a esse filme. Na verdade, iria assistir ao Terminator 4, mas entrei na sala errada e estava tão chapado que não consegui mais levantar da poltrona.
Aquele monte de mães de 30 e tal, maquiadas para parecerem mais novas e suas filhas de 13 e tal, maquiadas para parecerem mais velhas, é quase impossível não ficar cheio de tesão (mas, tem que disfarçar)
E continua...click na Megan!